O ano de 2015 deve ser de transição no setor de telecomunicações brasileiro, no interior de um brutal processo de concentração oligopólica e internacionalização.

América Movil

O grupo mexicano America Movil gastará os primeiros meses do ano ainda lidando com o processo de fusão entre Claro, Embratel e NET. A dúvida aqui é saber qual a participação que a Globo terá na empresa resultante. Provavelmente será algo entre 3% e 5%.

Telefonica de España

A Telefonica consumirá boa parte do ano no processo de incorporação da GVT à Vivo, o que resultará no maior faturamento do setor no país.

OI

Este blog publicará em breve um texto específico sobre a Oi. Mas, é certo que a empresa passará boa parte de 2015 tentando vender os poucos ativos que ainda lhe restam, como a Portugal Telecom (já negociada com a francesa Altice), a Africatel (Namíbia, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Angola), a operação em Timor Leste e o que sobrou de suas torres de celular (que depois passam a ser alugadas pela própria Oi). O objetivo é diminuir a gigantesca dívida da empresa. Muito se especula no mercado sobre uma tentativa da Oi, em parceria com Claro e Vivo, comprar a TIM. Mas, é pouco provável que, mesmo depois de vender todos esses ativos, a Oi tenha caixa para uma operação dessa envergadura.

O futuro da Oi é, com certeza, o maior problema do setor de telecomunicações brasileiro.

Itália Telecom

A TIM é uma empresa saudável, mas seu controlador, a Italia Telecom, tem dividas bem significativas e apenas dois ativos para vender: a TIM brasileira e parte de uma complicada operação na Argentina.

Por outro lado, a TIM tem sérias limitações por praticamente não operar no mercado de telefonia e banda larga fixas e não dispor de um serviço de TV paga. Ou seja, é quase exclusivamente uma operadora de telefonia móvel. O futuro da TIM segue sendo uma incógnita.

Nii

A norte-americana Nii pediu concordata, mas conseguiu excluir dela suas três subsidiárias: Nextel do México, da Argentina e do Brasil. A operação da Argentina está a venda, mas não encontra compradores dada a sua fragilidade. É bem possível que a operação brasileira acabe sendo vendida, provavelmente para a Vivo, com quem a Nextel já possui parceria. De qualquer forma, a Nextel não é mais um competidor capaz de enfrentar os outros grupos que atuam no Brasil e seu desaparecimento é questão de tempo.

AT&T

A empresa norte-americana parece ainda estar ocupada com os problemas técnicos, administrativos e regulatórios da compra da DirecTV, o que acabou tornando-a dona também da Sky Brasil (com 93% das ações, cabendo os restantes 7% à Globo). Parece pouco provável, mas já que a Sky Brasil começa a se aventurar no mercado de banda larga, faria todo sentido comprar a TIM Brasil, a última jóia ainda disponível no mercado brasileiro.

Conclusão

Em poucos anos, restarão apenas umas três grandes empresas de telecomunicações no Brasil, todas controladas por grandes grupos transnacionais. Com certeza farão parte deste seleto grupo a America Movil e a Telefonica de España. Muito provavelmente a AT&T. Talvez, mas é pouco provável, a Italia Telecom. E só.

A única dúvida relevante gira em torno da Oi. Seguirá sendo o atual cadáver insepulto ou vai desaparecer também?