Hoje, dia 30 de março, o exílio de tibetanos a partir da ocupação do país pelas forças chinesas completa 54 anos. É verdade que, até então, o Tibet era governado por um regime teocrático de base feudal e aristocrática. Mas, não é menos verdade que a invasão chinesa retirou dos tibetanos qualquer chance de auto-determinação.

Hoje o povo tibetano é um mendigo em sua própria casa. Dentro do Tibet, a escolaridade média dos tibetanos é sensivelemente menor do que a dos chineses. Cargos na administração tibetana são praticamente exclusivos de chineses. Sua religião é reprimida. A polícia prende mesmo sem mandatos e a tortura é prática comum.

Para desgraça dos tibetanos, a China descobriu jazidas de mais de cem minérios no país, entre eles o urânio. Uma estrada de ferro foi construída ligando a capital Lhasa à China e por ela chegam milhares e milhares de imigrantes chineses e partem toneladas de minério. Tais imigrantes demandam investimentos na construção de conjuntos habitacionais, surgem supermercados, lojas e todo um padrão cultural e comportamental vai sendo importado. Some-se a isso a propaganda constante nas escolas e nos meios de comunicação. Aos poucos, a cultura tibetana vai morrendo e o país se torna mais uma província do povo Han da China.

Comunismo, que comunismo?

Foi comum que a teoria comunista tenha sido usada, ao longo do século XX, para justificar uma série de movimentos sociais que tinham, de fato, uma outra agenda (justa ou não). Infelizmente, o que menos se viu foram revoluções proletárias no século passado.

Assim, no continente americano, os movimentos comunistas foram, em grande medida, movimentos de cunho nacionalista, na luta contra o imperalismo norte-americano. Na África, o comunismo serviu de verniz intelectual para elites negras na luta contra o colonialismo branco europeu. Na URSS, a partir dos anos 30, o stalinismo buscou transformar a teoria marxista em mero sustentáculo para um projeto de supremacia eslava da pátria russa, fazendo do seu líder um novo czar.

Na China, desde o início, o comunismo serviu de biombo para uma ditadura confucionista, que hoje busca operar a fórmula mágica de partido único e capitalismo. Mas, o que mesmo os críticos à China pouco discutem é que, internamente, o PCC é uma forma de dominação do povo Han contra as minorias étnicas. O que ocorre no Tibet hoje é uma limpeza étnica de proporções assustadoras.

Mas, como a China se tornou a consumidora voraz das commodities de todos os cantos do planeta e a grande fábrica do capitalismo transnacional, quem há de ligar para a sorte dos 6 milhões de tibetanos?