Hoje completam-se 59 anos do suicídio de Edwin Howard Armstrong, principal pesquisador envolvido no desenvolvimento do rádio FM, com 42 patentes registradas em seu nome. Armstrong foi perseguido pelo lobby da Radio Corporation of America (RCA) e pela agência reguladora norte-americana, a Federal Communications Commission (FCC).

A RCA era de propriedade da General Eletric (GE) até 1930, quando o governo obrigou a separação. Além da maior produtora de equipamentos de rádio do mundo, a RCA era também dona das duas principais redes de emissoras dos Estados Unidos, a NBC Red (depois apenas NBC) e a NBC Blue (obrigada a se separar pelo governo em 1943, tornando-se a atual ABC).

Com o importante apoio do órgão regulador, o lobby da RCA conseguiu evitar a adoção do FM, que viria a competir com seu oligopólio no AM. E Armstrong brigou com todas as forças por um rádio com melhor qualidade de áudio e na crença de que novas emissoras poderiam ser usadas para democratizar e melhorar a qualidade da programação.

Vencido, quebrado financeiramente, tendo problemas com o álcool e separado da esposa, Armstrong se jogou do 30° andar do edifício onde morava em Nova York, na noite de 31 de janeiro de 1954.

Edwin Howard Armstrong é um exemplo de que os caminhos seguidos no desenvolvimento dos meios de comunicação são frutos do contexto sócio-político do momento, podendo ter sido completamente diferentes. Nesses tempos em que muitos acham que a Internet é a democracia encarnada e que basta lutar pela expansão da banda larga, a história de Armstrong elucida como um meio potencialmente democrático pode se tornar mais uma ferramenta nas mãos dos oligopólios privados.

À Armstrong, nosso agradecimento pela luta.