Há aqueles, inclusive entre os que militam pela democratização da comunicação, que veem no crescimento da Record (de propriedade da Igreja Universal do Reino de Deus – IURD) uma alternativa positiva ao oligopólio da Globo. Embora reconheça a importância da existência de concorrentes à Globo, não estou entre aqueles que “torcem” pela IURD. Embora com trajetórias e papéis políticos totalmente distintos, Globo e Record são, ambas, problemas para a democratização das comunicações no Brasil e, consequentemente, para a própria democracia em nosso país.

Assim, nessa disputa, não haveria um lado para se “torcer”. Daí, talvez, porque seja até mais fácil analisar a contenda…

Fato é que a entrada da Record na disputa pelas grandes competições esportivas significou uma lufada de concorrência. Mas, a Record terminou se mostrando incapaz de se constituir como uma alternativa de qualidade técnica e estética à Globo. Suas transmissões da Olimpíada de Inverno de Vancouver e do Pan-Americano de Guadalajara foram sofríveis, para dizer o mínimo. Muita patriotada e pouco pessoal especializado, tanto diante das câmeras quanto em questões cruciais como a construção de pautas e a edição de imagens.

Se repetir o mesmo nível de cobertura na Olimpíada de Londres, a Record acabará jogando água no moinho da Globo, fazendo com que a população e os próprios atletas (cuja divulgação de suas imagens acaba prejudicada) anseiem pelo retorno dos direitos de transmissão à emissora aberta dos Marinho.

Para a Record, pode ser a derradeira chance de provar que o dinheiro sem impostos da IURD foi capaz de gerar uma alternativa de programação, estética e técnica, à Globo. Mesmo que, no campo da política, ambas continuem sendo problemas para o país resolver.