Segundo a agência de notícias Bloomberg, a operadora de telecomunicações AT&T (que em 2014 comprou a DirecTV) estaria na fase final de negociação para adquirir a Time-Warner. Se a compra se realizar, o impacto no mercado brasileiro de telecomunicações não será pequeno.

A Time Warner é dona de importantes ativos de comunicação, como os estúdios Warner Bros e New Line, os canais pagos HBO, CNN, Cartoon, a DC Comics, Hannah-Barbera, entre muitos outros. No Brasil a Time Warner comprou recentemente o canal Esporte Interativo.

Defesa

A compra representa uma reação de defesa da AT&T a dois de seus princiais concorrentes. A Comcast, maior operadora de TV a cabo dos Estados Unidos, é dona também da Universal, da NBC e da Dreamworks Animation. E o empresário John Malone tem atuado para consolidar seus negócios de conteúdo (participações controladoras na Discovery, nos canais Starz, na produtora Lionsgate e na Fórmula 1) e de telecomunicações (a fusão entre as operadoras de TV a cabo Charter, Bright House e Time Warner Cable, nos Estados Unidos, e operações em 12 países europeus). A AT&T percebeu, então, que precisava reagir e decidiu comprar um dos maiores conglomerados de mídia do planeta.

Brasil

Caso a compra venha a se concretizar e seja aprovada pelas autoridades norte-americanas, a AT&T (que é dona da Sky no Brasil) passaria a controlar os 58 canais pagos da Time-Warner no país. Mas lei 12.485 proíbe que uma mesma empresa seja dona de uma operadora e de canais de TV paga. A AT&T terá que se desfazer de algo e muito provavelmente será a Sky. E aqui começam os problemas.

A Sky Brasil opera apenas com TV paga via satélite. Não possui uma rede fixa de telecomunicações nem operação celular. Será difícil encontrar uma empresa que aceite entrar no mercado brasileiro para enfrentar Telefonica (Vivo + GVT) e America Movil (Claro + NET + Embratel), dispondo apenas de uma operação de TV via satélite. O mais provável é que a Sky seja vendida para alguém que já atua no Brasil. Há pouco tempo a AT&T e a Telefonica conversaram sobre a hipótese desta última comprar a Sky. A conversa não avançou porque a Telefonica foi impedida pelo regulador local de vender sua operação britânica de telefonia celular. Envolvida ainda com a compra da GVT, a Telefonica achou que não teria caixa suficiente naquele momento para comprar também a Sky. Agora, contudo, a conversa pode ser retomada.

A compra da Sky pela Telefonica teria dois impactos imediatos no mercado brasileiro.

Por um lado seria a saída de um gigante como a AT&T do mercado de telecomunicações brasileiro e a concentração ainda maior entre America Movil e Telefonica. Por outro lado seria um problema enorme para a Vivendi, controladora da TIM e que já manifestou interesse em vender a operadora móvel brasileira. Com um mercado hiper concentrado em apenas duas empresas, quem vai querer comprar a TIM, empresa que não possuí uma rede fixa para competir com America Movil e Telefonica? A TIM passaria a ficar encaixotada entre dois gigantes, com dificuldades de concorrer e de ser vendida.