O que está em jogo na CPI do caso “Cachoeira” é a sobrevivência do grupo Abril, que perdeu bastante poder nos últimos anos (como já demonstramos aqui). Especialmente a partir do fim da década de 90, justamente quando a Abril começou a perder fôlego, os Civita fizeram a opção de caminhar com a revista semanal cada vez mais para a direita, tornando-se, enfim, o porta-voz dos setores mais reacionários da política brasileira.

Os Civita sabem que, sem a Veja, o Grupo Abril seria uma empresa de mídia de porte médio no mercado nacional, sem qualquer poder de influenciar o rumo do setor e, principalmente, da política brasileira. Sabem, também, que o caminho que tomaram, rumo à extrema-direita, não tem volta.

Por isso, os Civita estão realmente preocupados com o momento atual, pois sabem terem sido flagrados numa relação incestuosa com um esquema criminoso de amplitude considerável. A CPI não significará o fim da Veja, mas pode debilitá-la bastante.

O curioso dessa história é que, pelo menos na arena pública (não tenho informações sobre possíveis negociações de bastidores), os Civita resolveram seguir um caminho inusual na política brasileira. Não parecem estar dispostos a compor e quanto mais são criticados, mais radicalizam para a direita, mais acentuam o confronto. Fazem um jogo arriscado para quem tem muito a perder.

Enquanto isso, a democracia brasileira anseia por regulação das comunicações e por um país onde anti-jornalismos como a Veja sejam coisa do passado. Embora não restem muitas esperanças de que o atual governo tenha algum apetite em comprar essa briga.

Por dúvida das vias

Os Civita já venderam 30% da Abril para o Naspers, sustentáculo do apartheid sul-africano, e apostam cada vez mais no sucesso da Abril Educação. Se a editora for para o vinagre, viverão de ensino…