Duas grandes mudanças podem estar no cenário imediato das livrarias brasileiras.

De um lado, empresas como a OnDemandBooks (veja aqui) se esforçam por popularizar as máquinas de impressão por demanda. A própria Amazon, depois de comprar a Book Surge (veja aqui), tem tentado negociar com as editoras norte-americanas permissão para passar a imprimir livros por demanda.

Obviamente, as grandes editoras, que controlam de forma ciosa as suas estruturas de distribuição, não querem nem ouvir falar da impressão por demanda. O medo das editoras é que a perda da distribuição acabe fazendo com elas o que a digitalização das músicas fez com as gravadoras, tirando-lhes o poder de definir os preços de mercado.

Mas, a impressão por demanda pode ser um bom negócio para pequenas livrarias (que não precisam investir em grandes estoques) e para os consumidores (que, no limite, não mais terão que enfrentar um cenário de livros fora de catálogo).

De outro lado, a Amazon Books promete abrir sua loja virtual brasileira no segundo semestre de 2012. Junto com ela, virá também a venda local do leitor de livros Kindle. A empresa norte-americana contratou Mauro Widman, até então o responsável pelo site da Livraria Cultura. O impacto da chegada da Amazon deverá ser sentido por todo o varejo da Internet brasileira (especialmente pela B2W – Americana, Shoptime e Submarino – que já vem apresentando queda no faturamento), mas no setor livreiro, em particular, a empresa norte-americana pode ter o peso de um terremoto.

Junto com ela virão o aumento das vendas de livros físicos pela Internet, o aumento da venda de livros digitais e, com certeza, a pressão para renegociação das margens de lucro das editoras.

Talvez tenha chegado o momento do governo brasileiro pensar em criar uma política para proteção do ecossistema livreiro no país. Ou, em pouco tempo, podemos ter um cenário de oligopolização nos pontos de venda, com inevitável impacto também entre as editoras nacionais.