O cidadão comum hoje deve estar se perguntando para que serve uma agência reguladora. Não seria mais interessante poupar os recursos com infra-estrutura e pessoal? Isso porque o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Resende, em depoimento hoje no Senado informou que as empresas de telecomunicações que operam no Brasil, quando indagadas pela agência, responderam que seus contratos de interconexão com as operadoras norte-americanas não preveem a entrega de informações à NSA, agência de espionagem dos Estados Unidos.

E, para o crédulo presidente da Anatel, essa informação é suficiente!!!!! No máximo as operadoras têm “fragilidades” de segurança, como, pasmem, não adotar as normas internacionais de segurança dos respectivos organismos certificadores.

Em primeiro lugar, espera-se que uma agência reguladora cuide de regular as empresas de seu setor justamente para garantir que elas seguirão, entre outras coisas, os padrões internacionais de segurança. Se o órgão regulador do setor não cuida disso, quem o fará?

Em segundo lugar, a Anatel esperava mesmo que a Embratel, a Vivo ou a Oi, por exemplo, respondessem algo como “caro sr. Resende, cumpre informar que, pressionados pelo governo norte-americano, desejosos de não sofrer retaliações comerciais, optamos por entregar informações sensíveis do governo brasileiro à administração Obama. Atenciosamente”? Ou que tal vazamento de informações constasse dos contratos de interconexão?

Se era só para perguntar e registrar a resposta, não era necessário ter toda uma agência reguladora para chegar a essa conclusão. Bastava perguntar ao coelhinho da Páscoa.

PS: os senadores ouviram tudo isso e acharam normal?