O Grupo Bandeirantes é famoso por sua linha errática. Já teve como marca o jornalismo, já foi o “canal do esporte” e, depois de vagar os últimos anos pelo espectro, agora busca ser o canal do humorismo popularesco.

Além do seu canal de TV aberta de mesmo nome, a Band possui ainda um outro canal de TV (Rede 21 – hoje alugando 22 horas por dia para a Igreja Mundial do Poder de Deus), um pequeno jornal de classificados (Primeira Mão), a franquia do jornal Metro no Brasil e as redes de rádio Band FM, Band News, Nativa e Rádio Bandeirantes, além de programar outras emissoras de rádios para terceiros.

Mas, justiça seja feita, a Band é o único grande grupo de mídia no Brasil que resolveu enfrentar a Globosat no mercado de TV paga. O grupo da família Saad programa os canais Band News, Band Sport e Terra Viva. E se prepara para lançar um canal voltado à arte e cultura: Arte 1.

O problema da Band é que ela apostou equivocadamente que a Lei 12.485 não seria aprovada ou que seria possível mudar seu conteúdo. E perdeu! A lei sancionada em setembro de 2011, em seu artigo 5°, diz que uma concessionária ou permissionária de radiodifusão não pode ter mais de 50% de uma operadora de serviços de telecomunicações de interesse coletivo (entre estes serviços, inclui-se a distribuição de TV paga).

SIM TV

Os Grupos Bandeirantes e Silvio Santos apostaram na distribuição de TV paga, criando uma empresa de nome TV Cidade, com outorgas de TV a cabo nos municípios de Aracaju, Cuiabá, Feira de Santana, Gravataí, Jaboatão dos Guararapes, Juiz de Fora, Olinda, Paulista, Recife, Salvador, São Gonçalo, Várzea Grande e Volta Redonda. Mas, no caminho, a empresa se endividou em níveis alarmantes e por duas vezes a Furukawa (fornecedora da fibra óptica da TV Cidade) quase conseguiu que a empresa fosse a leilão, sendo impedida por liminares de última hora.

Durante a crise do banco Panamericano, a Band adquiriu a totalidade das ações da empresa, rompeu a franquia com a NET Brasil e adotou o nome comercial de SIM TV. Recentemente a empresa alegou ter concluído o processo de digitalização de sua rede.

Segundo a lei 12.485, a Bandeirantes terá que vender o controle acionário da SIM TV e passar a deter, no máximo, 49,99% das ações da empresa, embora não se saiba ainda quando os órgãos reguladores pretendem fazer cumprir a lei. Mas, quanto vale uma empresa altamente endividada e cujo dono é obrigado a vendê-la por força da lei? Provavelmente menos do que a Band gostaria…

Para piorar, pelo menos nas cidades de Salvador, Niterói, Gravataí, Cuiabá, Recife, Olinda, Paulista e Jaboatão dos Guararapes a NET já possui rede, presta os serviços de banda larga e telefone fixo e espera apenas a autorização da Anatel para começar a prestar também o serviço de TV por assinatura via cabo. Além da chegada também da francesa GVT e da concorrência que já enfrenta com Claro TV (ex Via Embratel) e Sky.

Não é necessário ser um grande analista para perceber que a SIM TV não terá vida longa.

Programadora

Sobrará à Bandeirantes o desafio de se manter como programadora de TV paga. Seu Band News disputa com Globo News e Record News. Seu Band Sport enfrenta Sport TV, ESPN Brasil, Esporte Interativo e o entrante Fox Sports. O Terra Viva hoje sofre na concorrência com o Canal Rural (da gaúcha RBS, maior afiliada da Globo). Resta saber como vai se comportar a nova aposta da Band, o Arte 1.

Durante a tramitação da 12.485 era comum ver Johnny Saad reclamando da lei e particularmente da Globo, ameaçando, inclusive, recorrer à justiça. A lei foi aprovada, a Band não fez nada do que prometeu, apostou errado e agora deverá viver dias nada fáceis.