A partir de hoje o PIB dos Estados Unidos passa a incluir como investimento o item “pesquisa e desenvolvimento” (que deixa de ser calculado apenas despesa) e bens intangíveis como obras audiovisuais, músicas e livros. A medida é retroativa e vai alterar o cálculo do PIB estadunidense desde 1929. Com a inclusão, espera-se um crescimento imediato de cerca de 3% no produto interno bruto norte-americano.

Reportagem da Bloomberg Businessweek (republicada no Brasil pelo jornal Valor Econômico) demonstra o grau de dificuldade da economia para lidar com esses bens. Por exemplo, a participação de obras audiovisuais no PIB é feita a partir do gasto para sua produção, o que leva a superdimensionar blockbusters que fracassem na bilheteria e, inversamente, subdimensionar filmes de baixo orçamento que se tornem sucessos de público.

Outro problema é o cálculo de depreciação de bens intangíveis que não sofrem, ao contrário dos bens “físicos”, os efeitos da entropia (prevista na Segunda Lei da Termodinâmica). O Bureau of Economic Analysis (BEA) calcula que o resultado de pesquisa e desenvolvimento no setor farmacêutico tem um taxa anual de depreciação de 10%, enquanto filmes depreciariam 9% ao ano e músicas 27%. É evidente a precariedade desses cálculos que foram criados originalmente para bens que não podem ser reproduzidos ao infinito com custo marginal tendente a zero (como os bens simbólicos) e que tampouco são imunes a degradação natural que se abate sobre qualquer corpo físico.

Por fim, o BEA não incluirá no PIB as obras audiovisuais denominadas como sendo de “fluxo”, como jornalismo, eventos esportivos e, também, reality shows.