Chineses comprar parte da Sharp

O Japão é um país decadente. Quem primeiro me alertou para esse fato foi a leitura de “Vida Digital”, de Nicholas Negroponte, ainda nos anos 90. Segundo o autor, o Japão não conseguiu embarcar na revolução da Internet e da digitalização, embora fosse líder mundial na eletrônica. Hoje os sintomas são cada vez mais claros e passam por estagnação econômico, anemia política e crise energética.

Há alguns anos, a Coréia do Sul assumiu papel preponderante no mundo da eletrônica e da informática, especialmente com seus chaebols Samsung e LG. Mais recentemente, a China avisou que estava deixando de ser uma mera produtora de grande quantidade com baixa qualidade para disputar o mercado internacional com empresas como Huawei e Lenovo (que comprou o setor de PCs e notebooks da IBM).

Agora, a disputa entre chinesas e sul-coreanos chega ao segmento das telas de LCD e LED (para TVs, celulares, tablets, notebooks, etc), em detrimento dos japoneses. No momento, a Samsung é líder não apenas em quantidade como em qualidade. Só ela, por exemplo, consegue produzir as poderosas telas dos Ipads e de seus próprios Galaxys.

Agora, foi a vez da Hon Hai (conhecida entre nós como Foxconn) dar o troco e comprar 10% da Sharp e 46,5% da parceria da Sharp com a Sony na produção de telas. A Hon Hai é a maior montadora terceirizada do mundo e produz, entre outros, os Iphones e Ipads que viraram fetiche no planeta. Os chineses dão provas de que não querem apenas montar produtos de terceiros e que sonham em deter tecnologia própria. Por isso, a compra de parte da Sharp, que disputa o mercado mundial de telas justamente com Samsung e LG e as instala em produtos de diversas marcas, como Sony, por exemplo.

Para a Sharp pode ser a tábua de salvação, já que a Hon Hai assumiu o compromisso de comprar 50% das telas produzidas pela Sharp. Para a Apple trata-se de uma boa notícia, pois pode significar o fim de sua constrangedora dependência dos coreanos da Samsung (rivais na venda de aparelhos).

Um pequeno fato que ilustra o deslocamento geopolítico que ocorre no extremo-oriente.