O acrônimo BRICS foi inventado num relatório do Golden Sachs para reunir países emergentes em rápido crescimento e com enorme potencial de influenciarem a economia mundial. Acabou sendo adotado pelos próprios países envolvidos (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) como uma tentativa de construção de um grupo contra-hegemônica frente ao bloco ocidental que emergiu com fim da II Guerra Mundial e que controla as principais organizações internacionais, como o FMI, o Bando Mundial e a OMC.

O movimento mais recente dos BRICS foi a importantíssima criação de um banco de desenvolvimento.

Ocorre que os BRICS são de um nível de heterogeneidade interna que tornará cada vez mais difícil a manutenção da unidade interna. Por exemplo, para a China o Brasil é um importante fornecedor de matérias-primas e produtos com baixa transformação industrial, como aço, por exemplo. Um suposto crescimento do Brasil como produtor de tecnologia nos colocaria em rota de colisão com o projeto chinês.

Um exemplo claro do tipo de conflito que podem surgir no futuro está justamente em um dos raríssimos setores de ponta onde o Brasil tem relevância na economia internacional: a aviação civil, notadamente os aviões comerciais de perfil com duas turbinas e um único corredor.

Essa categoria é largamento dominada pela Embraer, já que as duas gigantes internacionais (Boeing e Airbus) começam seus portfólios com modelos ligeiramente superiores (respectivamente 737 e A319). Pois, a chinesa Comac e a russa Sukhoi estão se preparando para entrar pesado nesse segmento nos próximos anos.

O ARJ21 da Comac será um enorme adversário para Embraer. E embora não comente o assunto em público para não melindrar um de seus maiores mercados, a Embraer sabe que seus aviões podem ter sofrido engenharia reversa pela Comac.

Ou seja, embora estejamos diante de uma manifestação de “soft power” bem diferente do imperialismo norte-americano, não há dúvidas de que será cada vez mais difícil manter a unidade interna dos BRICS, especialmente se quisermos abandonar nosso papel de meros fornecedores de commodities para a capitalismo transnacional.