Segundo a União Internacional de Telecomunicações (UIT), entre os usos possíveis para a chamada Banda X (8 – 12 GHz) está a comunicação dos satélites militares. No Brasil, é exatamente essa a frequência utilizada para os satélites de nossas forças armadas.

Quando o governo FHC privatizou as telecomunicações brasileiras, ele vendeu junto todos os nossos satélites para o comprador da Embratel, a norte-americana MCI World Com. Em 2000, a MCI separou os satélites da Embratel em uma empresa específica, chamada Star One. A própria Embratel ficou com 80% da Star One e 20% foram adquiridos pela francesa Societé Européene des Satellites (SES), a segunda maior operadora privada de satélites do planeta.

Com a falência da MCI World Com, cerca de 98% a Embratel foram adquiridos pela mexicana America Movil, empresa cujo maior acionista é o homem mais rico do mundo, Carlos Slim Helu. No Brasil, Slim também é dono da Claro, da NET e de uma empresa de vídeo por demanda chamada DLA.

Em 2007, a SES vendeu sua participação na Star One para a norte-americana General Electric (GE). E, em 2011, Slim comprou os 20% da GE na Star One. A partir de então, a Star One passou a pertencer totalmente à Embratel, subsidiária da America Movil, de Slim.

Ou seja, todas as comunicações militares brasileiras, incluindo nossos radares sobre a Amazônia, trafegam nos satélites da Embratel, empresa controlada pela America Movil. Além de Slim, seu controlador, a America Movil também conta entre seus principais acionistas (com pouco menos de 10% do capital) com a AT&T, empresa norte-americana que, em 2006, foi flagrada espionando para o governo norte-americano (veja aqui).

Vale lembrar que Slim possui vários outros negócios em terras norte-americanas. Ele é dono da maior operadora virtual de telefonia celular dos Estados Unidos, a Tracfone Wireless, e detém cerca de 8% do jornal The New York Times.

O curioso é que essa dependência estratégica de satélites estrangeiros não parece incomodar as forças armadas, o governo brasileiro e o Partido dos Trabalhadores (atual ocupante do Ministério das Comunicações).