Em alguns meses o Brasil terá apenas quatro empresas operando jatos na avião civil: TAM, Gol, Azul e Avianca. As demais aéreas, todas usando apenas turboélices, quando somadas, não chegam a ter 1% do mercado brasileiro. Os mais recentes movimentos desta concentração foram a compra da Webjet pela Gol e a fusão entre Azul e Trip.

Mas, o que o noticiário não tem apontado é que tal concentração revela, também, a atuação, nos bastidores, das fabricantes de aviões, que lutam para garantir a permanência no mercado de suas compradoras cativas. Não por acaso, o grupo Bozano Simonsen, um dos principais acionistas da Embraer, terá cerca de 13% da nova Azul Trip.

Assim, o mercado brasileiro caminha para a fidelização das empresas áreas. A TAM, exceto por três velhos 767 herdados da Varig, só utiliza aviões da Airbus. A Gol, a mais padronizada, não apenas compra aviões só da Boeing, como toda a sua frota é de um único modelo, o 737. Por fim, a nova Azul Trip voará somente com jatos da Embraer e turboélices da franco-italiana ATR.

No cenário atual, as três (Boeing, Airbus e Embraer) disputam sozinhas o mercado de jatos comerciais. Mas, a competição promete ficar acirrada nos próximos anos com a chegada dos jatos de “um corredor” da China (Comac C919), do Canadá (Bombardier Cseries) e da Rússia (Irkut MS-21). Com o aumento da concorrência, ter compradores cativos passa a ser um elemento-chave para a sobrevivência das fabricantes.

Daí que é fundamental que o governo brasileiro acompanhe essa questão bem de perto, uma vez que a Embraer (junto com Embrapa, Petrobras, Brasken e mais umas poucas) integra o seleto grupo de empresas brasileiras que produzem conhecimento, registram patentes e disputam o mercado internacional fora do setor primário.