(A partir da cobertura do site Convergência Digital)

Pressionadas pela denúncia de que iriam escolher a si próprias para fiscalizar a qualidade do serviço de banda larga que prestam (ver aqui), as teles terminaram optando por indicar a consultoria PriceWaterHouseCoopers (PWC), que, como sabemos, não é uma especialista no tema.

Ocorre que, como demonstra o site Convergência Digital (ver aqui), a PWC já havia se manifestado contra a necessidade de fiscalização da qualidade da banda larga quando a Anatel colocou em consulta pública o “Pedido de Anulação interposto pela Telemar Norte Leste PCS S.A. (Oi) a alguns dispostivos dos Regulamentos de Gestão da Qualidade do Serviço de Comunicação Multimídia (RGQ-SCM) e de Gestão da Qualidade do Serviço Móvel Pessoal (RGQ-SMP)”.

E fez isso após ter sido contratada pelo Sinditelebrasil, em 2011, para realizar um estudo sob encomenda onde supostamente analisou a realidade de 10 paíes e concluiu pela inutilidade de um regulamento específico para regulamentar a qualidade da banda larga no Brasil.

Vale lembrar que o contratante da PWC, Sinditelebrasil, reúne, entre outras, Embratel/Claro, Telefonica/Vivo, Oi, TIM e GVT, empresas que agora pagarão novamente a PWC. Mas, desta vez, não mais para concluir que não deve haver medição. Pelo contrário, a PWC está sendo contratada pelas teles, com aval da Anatel, justamente para medir a qualidade da banda larga dos membros do Sinditelebrasil.

Para piorar a situação, o software escolhido para a medição da qualidade da banda larga não leva em consideração importantes elementos como jitter e perda de pacotes (ver aqui).

Mas, talvez o mais grave, conforme denúncia de Demi Getschko, presidente do NIC.br, (ver aqui) seja o fato de que “os pontos de medição serão pontos de presença na reda da prestadora” confome a Requisição de Propostas redigida pelas teles e a Anatel. Com isso, as teles terão todas as condições de influenciar na medição, comprometendo a idoneidade do resultado final.

O NIC.br defende que a medição seja feita nos Pontos de Troca de Tráfego (PTTs) criados pelo Comitê Gestor da Internet “para a interconexão direta entre as redes que compõem a Internet Brasileira”. Os PTTs são pontos neutros da Internet brasileira e estão a salvo de qualquer tentativa de manipular a medição da banda larga. Nem as teles nem a Anatel, contudo, justificaram o motivo de não adotarem a medição nos PTTs.