Pressionadas pelo declínio do mercado de voz, pela perda do número de assinantes na TV paga e o crescimento das chamadas OTTs, as empresas de telecomunicações norte-americanas vivem um intenso processo de fusões e aquisições que aumenta drasticamente a concentração no mercado de quadruplay (voz + dados + vídeo + mobilidade) daquele país.

Primeiro, foi a AT&T que comprou a DirecTV. A Comcast tentou comprar a Time Warner Cable, mas foi impedida pelo órgão regulador. Em seguida, a Charter anunciou a compra da Bright House e da Time Warner Cable. Por fim, a Altice (que, em maio, comprara a Suddenlink) adquiriu a Cablevision (operadora de cabo na cidade de Nova York).

Duas dessas aquisições têm consequências do outro lado do Atlântico.

A francesa Altice vem patrocinando uma das mais expressivas (e também mais alavancadas) expansões dos últimos tempos. Além das aquisições nos Estados Unidos, desde o ano passado a empresa adquiriu a francesa Numericable e a Portugal Telecom, além de ter tentando, sem êxito, comprar a Bouygues Telecom e a Time Warner Cable.

Já a fusão entre Charter, Bright House e Time Warner Cable tem por detrás um veterano da indústria norte-americana de TV paga, John Malone, que, através da Liberty Global, controla operadoras no Chile, Porto Rico, Irlanda, Reino Unido, Holanda, Bélgica, Suíça, Alemanha, Áustria, República Tcheca, Polônia, Eslováquia, Romênia e Hungria.

A concentração no mercado norte-americano é importante por uma série de questões. Entre outros motivos, ela ajuda a criar um ambiente ideológico mais propício à aquisições em todo o planeta. Investidores passam a apostar mais, gestores se sentem compelidos a ir às compras e as autoridades regulatórias tornam-se menos rigorosas. Atualmente, já circula a teoria de que o mercado de quadruplay não suporta mais do que três concorrentes nacionais. Vale lembrar que o mercado brasileiro já é bem mais concentrado do que o norte-americano e mesmo assim ainda se fala em mais concentração a vista.

TV paga

Veja logo abaixo o ranking da TV paga nos Estados Unidos depois dessas fusões. É fácil perceber que há um primeiro pelotão formado por três operadoras. A Dish em uma posição isolada (e pagando o preço de ser transmitida via satélite e não poder concorrer no mercado da convergência). E um segundo time composto por outras três empresas. Dessas, a Verizon, embora pequena na TV paga, é uma gigante na telefonia móvel e não deve ter problemas para sobreviver. Mas, com certeza, mais fusões e aquisições ainda deverão ocorrer.

  • AT&T + DirecTV – 26 milhões
  • Comcast – 22,4 milhões
  • Charter + Bright House + Time Warner Cable – 18,4 milhões
  • Dish – 14 milhões
  • Verizon – 5,6 milhões
  • Cox – 4,5 milhões
  • Suddenlink + Cablevision – 3,9 milhões

Telefonia móvel

Já o mercado de telefonia móvel permanece inalterado depois que não se frustrou a fusão entre T-Mobile e Sprint.

  • Verizon – 133 milhões
  • AT&T – 124 milhões
  • T-Mobile – 59 milhões
  • Sprint – 57 milhões
  • US Cellular – 4,7 milhões

Banda larga fixa

Como era de se esperar, o mercado de banda larga guarda proximidade com o mercado de TV paga. Vejamos abaixo os provedores com mais de 1 milhão de assinantes. Desses, há quatro empresas que são inexpressivas nos demais mercados do quadruplay e que dificilmente conseguirão se manter independentes: Century Link, Frontier, Windstream e Mediacom.

  • Comcast – 22,4 milhões
  • Charter + Bright House + Time Warner Cable – 17,8 milhões
  • AT&T – 16 milhões
  • Verizon – 9,2 milhões
  • Century Link – 6,1 milhões
  • Cox – 4,3 milhões
  • Suddenlink + Cablevision – 3,9 milhões
  • Frontier – 2,4 milhões
  • Windstream – 1,2 milhão
  • Mediacom – 1 milhão