Exportações do Setor Eletroeletrônico
Janeiro-Dezembro

Áreas

US$ Milhões

Var.%

2010

2011

Automação Industrial

329,4

361,0

9,6%

Componentes

2.804,6

3.153,2

12,4%

Equipamentos Industriais

1.049,1

1.465,7

39,7%

GTD

734,0

551,1

-24,9%

Informática

206,6

217,3

5,2%

Material Elétrico de Instalação

308,0

357,4

16,0%

Telecomunicações

1.338,1

1.049,4

-21,6%

Utilidades Domésticas

849,4

780,6

-8,1%

Total

7.619,3

7.935,8

4,2%

 

Importações do Setor Eletroeletrônico
Janeiro-Dezembro

Áreas

US$ Milhões

Var.%

2010

2011

Automação Industrial

2.530,1

2.975,0

17,6%

Componentes

18.251,9

20.090,6

10,1%

Equipamentos Industriais

4.023,9

4.386,6

9,0%

GTD

532,1

834,9

56,9%

Informática

2.404,9

2.719,0

13,1%

Material Elétrico de Instalação

1.409,9

1.581,9

12,2%

Telecomunicações

2.868,6

3.864,2

34,7%

Utilidades Domésticas

2.870,0

3.076,5

7,2%

Total

34.891,3

39.528,6

13,3%

 

Dados da Associação Brasileira de Indústria Elétrica e Eletrônica (ABINEE) dão ideia do tamanho do desafio da inserção competitiva do Brasil na economia globalizada do século XXI. O setor eletroeletrônico é fundamental para o desenvolvimento de um país porque agrega conhecimento bastante especializado, requer altos investimentos, é menos suscetível às oscilações da economia internacional do que produtos primários ou semi-manufaturados e tem uma inserção transversal nas demais cadeias produtivas.

Entre 2010 e 2011, enquanto as exportações de eletroeletrônicos cresceram apenas 4,2%, as importações aumentaram 13,3%. Ou seja, a diferença entre valores exportados (US$ 7.935,8 milhões) e importados (US$ 39.528,6 milhões) tornou-se ainda maior. São US$ 31,6 bilhões que o país perdeu em apenas um ano. Mais do que isso, aumenta a dependência tecnológica do Brasil frente aos grandes produtores mundiais de tecnologia.

Mas, os dados podem ser ainda piores. E isso graças à fragilidade do modelo dos Processos Produtivos Básicos (PPBs), criados por Collor e mantidos por FHC e, infelizmente, por Lula. Com os PPBs, uma indústria estrangeira consegue uma série de incentivos fiscais no Brasil, importa produtos semi-prontos na forma de Complete Knock-Dow (CKDs) ou Semi Knock-Down (SKDs), constrói uma planta fabril de baixa complexidade, gera pouquíssimos empregos qualificados e tem o direito de batizar seus produtos com a alcunha de “made in Brazil”. Como praticamente toda a tecnologia embarcada nesses equipamentos tem as suas patentes originais registradas pela matriz da empresa em seu país de origem, a filial brasileira termina remetendo boa parte do que arrecadou, na forma de royalties. E o mesmo vale para as exportações destas empresas, que utilizam o Brasil como entreposto exportador. E vale até mesmo para empresas brasileiras que contratam capacidade ociosa em fábricas no exterior e importam CKDs e SKDs, adicionando apenas uma marca brasileira.

Ou seja, parte dos quase US$ 8 bilhões amealhados no estrangeiro com exportações de eletroeletrônicos retornou ao estrangeiro na forma de royalties.

Celulares

Um outro elemento importante é a volatilidade com que as plantas fabris de empresas estrangeiras podem ser construídas e depois removidas do país. Basta que a legislação trabalhista, fiscal ou ambiental, o câmbio ou qualquer outra variável torne mais interessante produzir em outro país para que as fábricas se mudem. O exemplo mais concreto é a queda de 47% nas exportações de aparelhos celulares entre 2010 e 2011, enquanto as importações aumentaram em 72% no mesmo período. Com isso, o Brasil saiu de um superávit de US$ 438 milhões para um déficit de US$ 427 milhões em somente 12 meses. Isso significa, também, que as decisões sobre investimentos não estão em território brasileiro e fogem quase completamente ao controle das políticas públicas nacionais.

O pior é que quanto mais a economia brasileira crescer, maior será a necessidade de consumo de produtos eletroeletrônicos, aumentando o déficit no setor, em um movimento que claramente não é sustentável no longo prazo.

A conclusão óbvia é que, sem ter coragem de propor alternativas ao modelo dos PPBs, não há saída para o dilema da política industrial brasileira.

PS: ao contrário do que o senso comum indica, não estou defendo que ocorre uma desindustrialização do Brasil. Até porque, o crescente agrobusiness é, sem sombra de dúvidas, uma indústria. O que defendo é que há uma reorientação da industrialização brasileira, que se torna cada vez mais exportadora, especializada e complementar às demandas dos países ditos desenvolvidos e da China.