O império de Walt Disney começou a ser construído a partir da adaptação de obras de outros autores, em geral europeus, que já haviam caido em domínio público, como Hans Christian Andersen, os irmãos Grimm e Carlo Collodi. Justamente por isso, a Disney sempre soube valorizar a importância de sua propriedade intelectual.

Nos últimos anos, a Disney percebeu que suas marcas históricas (como Mickey e o Pato Donald) estavam envelhecendo. Era hora de apostar em novas marcas, mais capazes de sobreviver no século XXI.

Foi assim que a Disney permitiu que Steven Jobs se tornasse seu maior acionista (com cerca de 7%) em troca do controle da Pixar (dona de marcas como Toy Story e Cars). Depois foi a vez de adquirir a Marvel.

E agora a Disney anunciou a compra, por US$ 4 bilhões, da Lucas Films, empresa de George Lucas, proprietária de marcas como Guerra nas Estrelas e Indiana Jones.

Essas aquisições não garantem apenas a futura produção de sequels, prequels e spin-offs, em live action ou animação. Mas, também a confecção de games, livros e a colocação de marcas em centenas de produtos, como brinquedos e alimentos, por exemplo.

A Disney dá mais uma demonstração que seus principais ativos não são as obras audiovisuais, mas as marcas por detrás dessas obras.

Brasil

É verdade que o valor de uma cinematografia não está vinculado exclusivamente as suas marcas. Pelo contrário, obras audiovisuais são, antes de tudo, uma forma de comunicação, de produção de identidade e da expressão de valores.

Também é verdade que a capacidade de produzir marcas brasileiras sempre esteve condicionada pela baixa penetração global das empresas brasileiras e por limitações do uso mundial da língua portuguesa.

Contudo, não deixa de ser um problema a baixíssima capacidade de nossa indústria cultural produzir marcas fortes, capazes de perdurar no tempo e na memória dos brasileiros. Mesmo a toda poderosa Globo, com seu modelo de produção de novelas, tem menos marcas consagradas do que seu poder econômico sugere.