Segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em 2013, pela primeira vez, as exportações da indústria de transformação foram inferiores aos gastos do setor com importação de insumos. A relação foi levemente negativa (menos de 0,1%), mas está em queda há anos. Nos setores de média e alta tecnologia, o déficit aumenta consideravelmente e chega a impressionantes US$ 93 bilhões. Apenas em informática, eletrônicos e ópticos, o déficit foi superior a US$ 51 bilhões.

Em outro estudo, feito pela consultoria Tendências a pedido do jornal Valor Econômico, surge uma outra face do fracasso da política industrial brasileira: a preponderância de meras montadoras, que fazem do país apenas um entreposto fabril de suas estratégias transnacionais. A participação do setor automotivo na indústria brasileira era de 18,4% em 2008, aumentando para 69,1% em 2013, graças ao corte de impostos, como o Imposto de Produtos Industrializados (IPI), e a investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) através do programa Inovar-Auto. Tratra-se, contudo, de um setor cujas principais empresas são estrangeiras, com baixa agregação de conteúdo brasileiro e com cadeias produtivas internacionalizadas. Entre 2008 e 2013, o Brasil renunciou a R$ 12,3 bilhões em impostos do setor automotivo.