Há cerca de um ano, quando os curdos ganharam totalmente o lado leste do Eufrates, Erdogan avisou que, se eles tomassem a fronteira entre a Síria e a Turquia ao oeste do Eufrates, as forças turcas retaliariam.

Já os curdos tinham dois desafios. Primeiro, unir seus três cantos a leste com o cantão de Efrin a oeste (a figura abaixo mostra uma parte desses cantões, assinalada em amarelo). Segundo, impedir que o ISIS utilize a fronteira com a Turquia para receber armas e militantes e vender petróleo.

A saída adotada pelos curdos foi inteligente. Eles virão por baixo, a partir de Manbij, passando por Al Bab, até unir as duas partes do território curdo, assinaladas em amarelo. Dessa forma, mesmo que o ISIS (no mapa em cinza) mantenha o controle sobre esse trecho da fronteira com a Turquia (e a cidade de Jarabulus em particular) isso não servirá de nada, pois estarão ilhados, incapazes de se comunicar com o restante das terras controladas pelo ISIS. Assim, mesmo sem tomar esse trecho da fronteira, os curdos conseguirão impedir que o ISIS utilize a ligação com a Turquia e, ao mesmo tempo, unirão todos os seus cantões em um território contínuo.

Foi então que Erdogan resolveu reagir, insuflando outros grupos islâmicos (em verde, no mapa) para (1) a partir de A’zaz atacar o território turco e (2) tomar a cidade de Jarabulus do ISIS. Ou seja, Erdogan resolveu definitivamente se livrar do ISIS e apostar em outras forças islâmicas na região. Nas últimas horas, com apoio das forças turcas, o outrora enfraquecido Exército Livre da Síria tomou a cidade de Jarabulus das mãos do ISIS. É óbvio que, a partir de A’zaz e Jarabulus, a Turquia planeja um ataque contra as forças do YPG curdo.

Contudo, a invasão de território sírio pelas tropas turcas não agradou em nada ao presidente sírio, Bashar Al Assad, com quem Erdogan buscava, através da intermediação russa, se reaproximar. Resta saber até quando Erdogan conseguirá jogar tantos jogos ao mesmo tempo ou se ele realmente aposta no caos da região.

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