– Este senhor (Roger Pinto Molina) não corria risco de morte. Pesavam contra ele acusações graves como, por exemplo, o envolvimento na chacina de Pando. Por que o Brasil resolveu acolher na sua embaixada alguém que é acusado de crimes comuns?

– Nesse período, o senador boliviano sofreu evidente privação do direito de ir e vir. Mas, jamais foi submetido a qualquer mal trato. Muito pelo contrário, até onde se sabe era muito bem tratado pela diplomacia brasileira. Por que, então, a comparação da vida reclusa na embaixada brasileira com os cárceres do DOI-CODI? Por que alegar questão humanitária para retirá-lo da embaixada? Quais são os dados concretos que justificam a preocupação com a saúde do senador Pinto Molina?

– O senador foi retirado da embaixada, com ele se foram dois fuzileiros e os demais diplomatas que lá estavam não perceberam nada? Se perceberam, por que ninguém avisou a chancelaria brasileira?

– Por que o diplomata Eduardo Sabóia decidiu não avisar seus superiores, numa inédita quebra de hierarquia no Itamaraty?

– A imprensa noticiou que, ao chegar em Corumbá, Roger Pinto Molina foi embarcado em um jatinho colocado à disposição pelo senador brasileiro Ricardo Ferrado (PMDB-ES), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal. Eduardo Sabóia não conseguiu (ou não quis) avisar a chancelaria brasileira, mas conseguiu (ou quis) avisar o senador brasileiro? Por que?

– Quem cedeu o jatinho para o senador brasileiro?

– E, enfim, a questão que me parece mais grave. O senador boliviano é originário de Pando, uma das províncias da Bolívia que integram a chamada “meia lua”. Trata-se de uma região distinta do altiplano boliviano, fronteiriça à estados brasileiros do centro-oeste e norte e com fortes laços econômicos com o Brasil. O agronegócio brasileiro tem enormes interesses naquela região e já patrocinou atos contra o governo boliviano de Evo Moralez. Haveria alguma ligação destes interesses do agronegócio brasileiro na concessão de asilo ao senador boliviano? A fuga do senador boliviano e sua acolhida por parte da elite política brasileira foi patrocinada por esse setor do agronegócio brasileiro com investimentos na meia-lua boliviana?

Por enquanto são perguntas. Apenas perguntas. Mas, as respostas parecem ser fundamentais para entendermos o que realmente ocorreu e quais as suas motivações.