O processo de convergência de mídias segue abalando divisões antes consideradas definitivas. Quem há alguns anos imaginaria que a Nokia sofreria tanto a ponto de ter sua venda cogitada, por causa do crescimento da Apple e do Google? Da mesma forma, seria impensável uma redefinição no ranking mundial da publicidade como resposta ao crescimento do Google. Pois é exatamente isso que acabou de ocorrer.

O segundo (Omnicom) e o terceiro (Publicis) maiores grupos de publicidade do planeta acabam de anunicar uma fusão que criará uma empresa com receita anual de US$ 22,7 bilhões, superando a até então líder WPP (receita anual de US$ 16 bilhões). O movimento é, na verdade, uma defesa contra o crescimento da publicidade na Internet e no celular (hoje já consumindo cerca de 22% das receitas do setor) e, mais especificamente, contra o Google e o Facebook. No anúncio da fusão, John Wren, até então presidente da Omnicom, citou entre outros desafios a chamada “compra pragmática”, onde a decisão de investimento em mídia é feita em leilões em tempo real por softwares e não mais por agências de publicidade.

Segundo uma fonte ouvida pelo jornal Valor Econômico, a nova empresa terá cerca de 60% do mercado publicitário brasileiro, com agências como Almap BBDO, DM9DDB, Lew Lara TBWA, Leo Burnett, Tailor Made, Publicis PBC Comunicação, F/Nazca, S&S, Neogama/BBH, Talent, Taterka e DPZ.

O Conselho Adninistrativo de Defesa Econômica (CADE) teria algo a dizer sobre essa fusão ou vai manter o tradicional mutismo em relação à comunicação?