Apesar dos discursos inflamados e dos sucessivos reinícios, o governo federal vem demonstrando uma notória incapacidade em coordenar uma política industrial brasileira para o setor da microeletrônica. Segundo dados da ABINEE (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), entre janeiro e setembro de 2012, o Brasil importou US$ 3,723 bilhões em semicondutores (além daqueles já embarcardos em outros produtos). E isso em um ano onde a economia não vai bem.

Design Houses

Desde 2005 o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) desenvolve um projeto para o apoio ao surgimento de design houses localizadas no Brasil. Estas empresas são responsáveis por fazer o desenho dos semicondutores, sem, contudo, se envolver diretamente na sua fabricação. Atualmente são cerca de 22, incluindo universidades (a grande maioria) e duas empresas estrangeiras (Freescale e Perceptia). Segundo documento do próprio MCT, de novembro de 2011 (veja aqui), “os resultados alcançados pelas DHs, no entanto, ainda são tímidos. As empresas criadas ainda tem muitas fragilidades, principalmente no que se refere a capacidade organizacional e comercial”.

Ceitec

Já a estatal Ceitec (Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada) teve o protocolo para sua criação assinado em 2000, foi efetivamente fundada em 2002, começou a fazer o desenho de chips em 2005, lançou seu primeiro produto comercial em 2007 e somente em julho de 2012 produziu o primeiro wafer com chips feitos no Brasil. A tecnologia pertence a alemã XFab e será totalmente transferida até 2014. Depois de cerca de R$ 600 milhões em investimentos federais, o Ceitec está em condições de entregar 70 milhões de chips por ano, com tecnologia de 600 nanômetros (um chip i7 da Intel, estado da arte, tem 32 nanômetros).

O empresário pré-operacional

Agora, o governo federal resolveu abrir uma nova frente. Entre a aquisição de 33% do capital (R$ 245 milhões) e empréstimo (R$ 267 milhões) do BNDES e empréstimo da Finep (R$ 202 milhões), serão R$ 714 milhões investidos na Six Semicondutores, empresa controlada por Eike Batista. O governo de Minas Gerais (a fábrica ficará em Ribeirão das Neves) investirá o necessário para ter cerca de 7% do capital da Six.

A fábrica usará tecnologias para produção de chips entre 130 e 90 nanômetros, de propriedade da IBM (que terá 18,8% das ações da Six Semicondutores).

Com as poucas informações reveladas até agora, não é possível saber qual será exatamente o modelo de negócios (embora seja óbvio que ela explorará nichos de mercado), mas preocupa nada ter sido divulgado sobre a transferência de tecnologia por parte da IBM e como a Six se relacionará com as design houses brasileiras.

Resta esperar…