Quando o mexicano Carlos Slim assumiu o controle da NET Serviços, através da Embratel, houve a opção de não mais operar o sistema de franquias montado pela Globo. A família Marinho ficou com a antiga franqueadora master, NET Brasil, que passou a se chamar G2C e hoje responde apenas pelo licenciamento dos canais da Globosat.

Nos últimos anos, então, a NET tem esperado pacientemente pelo fim dos contratos de franquia. Em várias dessas cidades a NET acabou instalando redes próprias e passou a concorrer com seus antigos franqueados. É exatamente isso que vai acontecer na cidade de Fortaleza, a partir de 1° de outubro. A antiga franqueada, NET Fortaleza, de propriedade de Tasso Jereissati, passará a se chamar Multiplay. E a NET Serviços lançará seu serviço próprio na capital cearense.

Até onde esse blog conseguiu apurar, das mais de 20 franqueadas da NET, a partir de agora só restarão três: Foz do Iguaçu, Angra dos Reis e Catanduva. E nenhum desses contratos será renovado. A NET Angra, por exemplo, já prepara a sua migração para a marca própria “Inova”.

Com isso, também vai desaparecendo a tentativa dos Marinho de reeditar na TV paga, ao menos em parte, o modelo de afiliação da TV aberta. Sozinhos, sem a parceria com a NET e tendo que concorrer com a antiga franqueadora, qual a chance de sobreviverem, por exemplo, as operações de cabo das famílias Jereissati (Ceará) e Maiorana (Belém), parceiros de longa data da Globo na TV aberta?

Muito provavelmente, estamos assistindo mais um capítulo de troca de guarda, saindo as famílias oligarcas que controlavam regionalmente a comunicação no Brasil e entrando, em seu lugar, os grandes grupos transnacionais, especialmente os de telecomunicações.

A lei que ninguém cumpre

Além disso, tanto Jereissati quanto Maiorana (e também a Bandeirantes e o SBT, entre outros) possuem TVs abertas e mais de 50% de operadoras de TV paga, o que é proibido pelo lei 12.485/2011. Mas, passados 2 anos da sua aprovaçãolei, parece que esse fará parte do rol das leis que “não pegam” no Brasil.