Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, é um dos donos do restaurante Piantella, onde há décadas se reúne boa parte da elite política brasileira. Mas, ele também é advogado criminalista e nessa condição teve clientes como Daniel Dantas, Salvatore Cacciola, Roseana Sarney e o ex-ministro dos Esportes, Orlando Silva.

Mas, Kakay é, ainda, um dos melhores amigos de José Dirceu. Já foram vistos, por exemplo, juntos, de férias, em Cuba. E Kakay é o advogado de Dirceu no processo sobre o chamado “mensalão” no Supremo Tribunal Federal (STF).

Pois, agora Kakay será, também, advogado do senador Demóstenes Torres, do DEM, um dos maiores críticos do governo Lula e, particularmente, de José Dirceu e o chamado “mensalão”. Ocorre que Torres foi flagrado pela Polícia Federal, em escutas telefônicas, pedindo dinheiro e vazando informações para o traficante condenado, Carlinhos Cachoeira.

Na edição 62 da revista Piauí é possível ler: “em trinta anos de profissão, ele contou ter defendido dois presidentes (José Sarney e Itamar Franco), um vice (Marco Maciel), cinco presidentes de partido (simultaneamente), quarenta governadores (em períodos diversos), dezenas de parlamentares (atualmente são quinze senadores) e uma penca de ministros (no governo de Fernando Henrique Cardoso foram treze; no de Luiz Inácio Lula da Silva, três; no de Dilma, dois)”.

Kakay é o elo que liga o PT, os Sarney, o PCdoB, banqueiros, o DEM, tucanos e sabe-se lá mais quem. Ele é a prova indireta de que nossas elites (incluindo o PT) têm mais interesses que os ligam entre si do que as divergências conjunturais (exceto em situações raras como o impeachment de Collor). E isso ajuda a explicar porque operam com cuidado para nunca esticar demais a corda, nunca correr o risco de vê-la arrebentar e impedir um possível acordo. Situações como a disputa entre ACM e Jader Barbalho só servem para demonstrar que esse caminho deve ser evitado a todo custo.

Exemplo perfeito da cordialidade do homem brasileiro, como bem definiu Sérgio Buarque de Holanda.