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Pouca gente conhece o Comitê para Investimentos Estrangeiros nos Estados Unidos (CFIUS, na sigla em inglês), com representantes de 16 ministérios e agências daquele país, e que tem o poder de vetar qualquer investimento realizado por estrangeiros em solo norte-americano. Na maior parte das vezes a alegação para o veto é a segurança nacional, mas na realidade misturam-se também interesses econômicos e políticos de preservação da indústria nacional (deles). Como a alegação é de segurança nacional, as decisões do CFIUS acabam passando ao largo das regras de liberação do comércio internacional impostas pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

O CFIUS tem se mostrado particularmente criterioso com os investimentos chineses nos Estados Unidos. Por exemplo, quando a Huawei tentou comprar a 3Com, a operação acabou bloqueada por decisão do CFIUS.

Agora, novamente surge um impedimento do CFIUS para a aquisição de uma empresa norte-americana de tecnologia por outra chinesa. Trata-se da Micron Technology, uma das maiores produtoras de chips do mundo. Em quantidade de itens produzidos, a empresa fica atrás apenas da Intel, Samsung, TSMC (que só fabrica para terceiros) e Qualcomm (uma “fabless” que só faz o design dos chips). A compradora seria a Tsinghua Unigroup, empresa criada pela Tsinghua University, uma universidade estatal chinesa.

A Micron é a maior produtora mundial de memória DRAM e é justamente esse o ponto polêmico. Os Estados Unidos alegam que memórias DRAM são componentes sensíveis para a segurança nacional e não podem estar em mãos de empresas que tenham vínculos com outros governos.

Caso a alegação de segurança nacional venha a ser usada de forma tão ampla que inclua até mesmo memórias do tipo RAM, virtualmente qualquer compra de empresa norte-americana de tecnologia por outra chinesa poderia acabar sendo vetada.

Curiosamente, o CFIUS parece não estar levando em consideração que a Intel possui cerca de 20% da Tsinghua.