Em 2008 a Vale anunciou seu projeto Valemax, de construção dos maiores navios mineraleiros do mundo, com capacidade para 400 mil toneladas. A medida foi uma resposta ao fato de suas concorrentes diretas (BHP-Billiton e Rio Tinto) estarem mais próximas dos grandes centros de consumo e, portanto, terem menores custos de frete marítimo. Até 2014, serão 19 Valemax próprios e 16 arrendados por longo prazo. Mas, ao mesmo tempo, a medida acabou afetando a frota chinesa de navios cargueiros, que se sentiu ameaçada com a concorrência brasileira.

A resposta foi imediata. O governo chinês retirou de cada porto a decisão sobre aceitar ou não os super-navios Valemax e simplesmente proibiu a atracação em todos os portos chineses de qualquer cargueiro com capacidade maior do que 350 mil toneladas. Curiosamente, a medida afeta justamente os Valemax.

Pois, ontem, a Vale acaba de anunciar que está transferindo a operação (mas, não a propriedade) de quatro Valemax para a empresa de navegação chinesa Shandong Shipping. A própria Vale afirmou, também, que novos contratos são esperados “preferencialmente com chineses”. Não será surpresa alguma se, a partir de agora, for suspensa a proibição para os Valemax atracarem na China. Ou seja, o governo chinês, nosso “parceiraço” no BRICS, percebeu que havia rivalidade entre seus interesses estratégicos e os interesses de uma das principais empresas brasileiras. E não teve dúvida alguma sobre como agir.

Para quem acha que um imperialismo é melhor do que o outro…