Nos últimos anos, as programadoras de TV paga (as empresas donas dos canais de TV) têm criado seus serviços de vídeo por demanda. Assim, podemos assistir por demanda, e não no formato de grade de programação, aos conteúdos desses canais, em smartTVs, PCs, notebooks, tablets e smartphones.

Mas, todos esses serviços requerem que o sujeito assine esse canal em uma operadora de TV paga.

Por exemplo, você só poderá ter acesso ao Telecine Play se o seu pacote de TV paga incluir os canais Telecine.

Nas últimas feiras de TV paga esse modelo tem sido defendido com unhas e dentes. Ele teria a vantagem de oferecer o vídeo por demanda (tentando fazer com que o usuário não parta para os torrents) sem quebrar a parceria entre programadoras e operadoras de TV paga.

Mas, eis que a HBO vai lançar um serviço de vídeo por demanda aonde o sujeito poderá contratar o serviço diretamente com ela, sem precisar ser assinante de TV paga. E terá acesso a todo o seu conteúdo premium.

Ora, se o sujeito poderá pagar diretamente à HBO para ver todo o seu conteúdo em qualquer lugar e a qualquer hora, por que ele vai querer assinar o pacote dos canais HBO na operadora de TV paga?

A HBO sabe que essa iniciativa pode lhe custar assinantes de seus canais na TV paga. Mas, sabe que essas pessoas se tornarão seus assinantes no vídeo por demanda. E sem a necessidade de mediação da operadora.

E não é uma pequena programadora que lançou esse serviço. É a HBO, com capacidade de influenciar os rumos do mercado.

Algo me diz que outras programadoras seguirão o exemplo da HBO.

(Isso sem contar com Netflix, Hulu, Amazon e outros concorrentes que já nasceram apenas no vídeo por demanda.)

E algo me diz também que aquelas juras de amor entre operadoras e programadoras já não serão tão fortes assim.

(Quem está nascendo hoje vai achar tão estranho assistir vídeo no formato de grade de programação quanto nós achamos estranho um mundo sem telefone.)