O chamado “mensalão” foi crime de caixa-dois e seus protagonistas devem ser punidos, inclusive as lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT). Quanto a isso, não pode haver dúvidas.

Mas, a esquerda não petista deve se sentir mais triste (pelo rumo degradado seguido por aquele que já foi uma referência na esquerda brasileira) do que feliz (como se estivéssemos todos numa concorrência no mercado das eleições).

Nesse sentido, não podemos esquecer que o Supremo Tribunal Federal (STF) é uma instância conservadora e cujas decisões são historicamente prejudiciais à maioria da população brasileira (inclusive por parte daqueles juízes indicados no governo Lula). Seus intgrantes não acordaram um dia simplesmente com vontade de agir diferente. Afinal, trata-se do mesmo STF que  ignora a compra de votos para a emenda de reeleição para FHC.

Na verdade, o STF está em uma cruzada anti-petista, em conluio com a grande imprensa. Uma campanha aberta cujo primeiro round é a eleição deste ano, mas que tem como objetivo final a eleição de 2014.

Se essa campanha acerta o espúrio PT e os culpados do mensalão, não podemos nos iludir de que ela visa, em última instância, sepultar qualquer discurso que mesmo remotamente questione a hegemonia das classes dominantes.

Portanto, à esquerda não petista cabe o desafio de fazer a crítica ao esquema do mensalão, de defender a punição dos culpados (inclusive aqueles da direção petista), de apontar o esfacelamento do PT como alternativa de esquerda, mas, ao mesmo tempo, de não se deixar levar pelo discurso anti-petista que no futuro pode nos vitimar a todos.

Tarefa sutil e difícil!