O ministro Paulo Bernardo já demonstrou ter dificuldades em identificar a diferença entre o Comitê Gestor da Internet (CGI.br) e uma associação de plantadores de arroz (veja aqui). Então, já sabemos que, exceto por seu Twitter, Internet não é muito o forte do ministro das Comunicações.

Mas, o que não dá para entender é porque o ministro continua não compreendendo o texto do substitutivo do deputado Molon, do seu próprio partido. O texto não diz, em momento algum, que o Comitê Gestor da Internet determinará as regras sobre neutralidade na Internet brasileira. Quem fará isso, ministro, é o próprio poder Executivo do qual o senhor faz parte, apenas tendo que ouvir as recomendações do CGI.br.

Por que o ministro ficou tão indignado em relação ao CGI.br e não demonstrou essa mesma indignação com a Lei 12.485/2011, que, em seu artigo 42, determina que Anatel e Ancine terão que ouvir as recomendações do Conselho de Comunicação Social (CCS) para regulamentar a TV paga brasileira? Vale lembrar, ainda, que o CGI.br tem um grau de expertise e institucionalização muito maior do que o CCS.

Por que o ministro aceita um caso e não o outro?