(ORIGINALMENTE PUBLICADO EM 23/11/2012)

O escritor norte-americano Phillip Dick publicou em 1956 um conto chamado The Minority Report, depois transformado em filme por Steven Spielberg e também publicado no Brasil na coletânea Realidades Adaptadas, da Editora Aleph.

No conto, Dick explora um cenário futurista onde, nos Estados Unidos, crimes passam a ser evitados através da ação de três mutantes que conseguem prevê-los antes de serem cometidos.

Os mutantes ainda não existem, mas o governo norte-americano patrocinou a aliança entre duas empresas que atuam na área de defesa (Stratford e Abraxas) para a criação de um sistema de segurança chamado Trapwire. A extensão do projeto foi revelada em emails da Stratford obtidos pelo grupo Anonymous e divulgados pelo Wikileaks.

Em linhas gerais, o Trapwire funciona captando imagens e sons de câmaras de segurança espalhadas em vias públicas e recintos privados. A partir desse gigantesco banco de dados, uma poderosa ferramenta de mineração de dados busca identificar o que eles chamam de indícios de “pré-ataques”.

A partir de então, o sistema estaria preparado para identificar ataques (terroristas ou quaisquer outros eventos que sejam qualificados como “ataques”) antes mesmo que eles venham a ocorrer.

Além da brutal violação de privacidade (nossas imagens em vias públicas e locais privados passam a ser capturadas, armazenadas e analisadas), cabe saber o que os gestores desse sistema qualificam como sendo “pré-ataques” e com que base legal pessoas poderão ser culpadas por crimes que ainda não cometeram.

Várias cidades dos Estados Unidos e da Inglaterra já adotaram o sistema.