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O dia 16 de janeiro de 2016 entrará para a história como um divisor de águas no Oriente Médio.

Em primeiro lugar, trata-se do coroamento de uma estratégia bem sucedida do governo Obama de apostar na construção de novos alianças na região, para além dos, e inclusive contrárias aos, seus aliados tradicionais: Arábia Saudita e Israel. Uma estratégia que começou com a montagem de um governo de maioria xiíta no Iraque (que se revelou uma tragédia, mas isso é outra história).

Mas, a volta do Irã ao comércio internacional significa uma vitória dos moderados (que ocuparam a presidência da República entre 1997 e 2005, com Mohammad Khatami, e voltaram ao poder em 2013, com Hassan Rohani) frente à linha dura representada pelo Líder Supremo, Ali Khamenei. Uma vitória, também, de setores urbanos e jovens que buscam se integrar, de forma soberana, no cenário internacional.

De outro lado, trata-se de uma enorme derrota da Arábia Saudita e das demais ditaduras da península arábica. Com isso, o regime saudita deve se sentir ainda mais ameaçado e recrudescer sua política de apoio ao fundamentalismo sunita (Al Qaeda, ISIS e outros) na luta contra os xiítas. Cada vez mais a Arábia Saudita, e seus aliados (Emirados Árabes Unidos, Kwait, Qatar e Bahrain), se torna o principal elemento de desestabilização do Oriente Médio.

Por fim, a volta do Irã ao comércio internacional é uma enorme derrota para o governo de extrema-direita de Israel, que mobilizou um intenso lobby nos Estados Unidos para impedir a chegada desse dia. É evidente que Israel caminha, ainda que de forma lenta, para um contexto de isolamento internacional.

Um resultado colateral do fim das sanções é a queda ainda maior do preço do petróleo, afetando grandes produtores como Rússia, Venezuela e Nigéria, mas também o Brasil. Ficam as dúvidas sobre até que ponto a indústria de xisto do Estados Unidos continuará viável (já começaram as falências e a desistência de poços menos rentáveis) e até onde a Arábia Saudita está disposta a continuar bancando a queda dos preços.

Com o fim do governo Obama e a perspectiva de vitória de Hilary Clinton (de perfil mais conservador) resta saber que tipo de mudanças serão impostas à politica dos Estados Unidos para o Oriente Médio.