David Miranda, companheiro do jornalista Glenn Greenwald, foi detido no aeroporto de Heathrow, com base numa lei britânica que emula o Patriot Act estadunidense. Imediatamente, o Partido Trabalhista, de oposição, veio à público reclamar da conduta do governo inglês. É evidente que a detenção de Miranda é um absurdo. Mas, os trabalhistas devem se lembrar que seu correligionário, ex-primeiro ministro Tony Blair, chegou a ser considerado o poodle de George W. Bush, tamanho o seu entusiasmo em apoiar o governo norte-americano nas invasões do Iraque e Afeganistão. Ou seja, submissão aos Estados Unidos não é uma exclusividade dos tories.

Na  verdade, a detenção de Miranda é só mais um capítulo no lento ocaso da Inglaterra como potência mundial. Para fugir da hegemonia alemã no projeto da União Européia, sem uma economia capaz de ensaiar um vôo solo, não sobrou alternativa ao governo britânico do que se acomodar sob as asas dos Estados Unidos.

O papel da Inglaterra no século XXI será o de ponta-de-lança européia dos interesses norte-americanos. Os eurocéticos britânicos dependerão cada vez mais de Tio Sam.

Brasil

O repórter inglês que vem postando as informações vazadas por Snowden mora no Brasil e vive com um brasileiro. Seu companheiro acaba de ser detido de forma injustificável pelo governo inglês. Snowden pediu asilo ao Brasil. E há a suspeita de que empresas de telecomunicações, de equipamentos eletrônicos e de Internet que atuam no Brasil tenham compactuado com o esquema de espionagem da NSA, acessando, inclusive, informações do governo brasileiro.

Até quando nossas autoridades pretendem fazer cara de paisagem?