No primeiro semestre deste ano, a Telefonica de España unificou toda sua operação no Brasil sob a marca Vivo, que agora passou a compreender também a operação fixa da Telefonica em São Paulo e as operações de TV a cabo da antiga TVA (São Paulo, Curitiba, Foz do Iguaçu, Florianópolis e Camboriú).

Embora sua operação de TV paga via satélite perca clientes a cada dia e já se cogite a sua venda para a Dish TV (principal competidora da DirecTV-Sky nos Estados Unidos), a Vivo (com ações vendidas na Bovespa) segue sendo uma empresa lucrativa.

Espanha

Mas, o mesmo não ocorre com sua matriz espanhola (onde funciona com a marca Telefonica) e nos demais países europeus (através da marca O2). A empresa deve US$ 58 bilhões, sendo US$ 15 bilhões com vencimento nos próximos dois anos. E não para de encolher em sua terra natal, graças à crise que destrói a economia do país.

Nos últimos tempos a Telefonica tem feito tudo para conseguir recursos. Vendeu sua participação em uma operadora chinesa e a totalidade da Atento (gigante mundial do telemarketing). Bem como se prepara para ofertar em bolsa 23% da O2 alemã. O problema é que isso não parece ser suficiente.

América Latina

Enquanto sangra na Europa, a América Latina segue sendo a galinha dos ovos de ouro. E talvez daqui venha a salvação da Telefonica. A diretoria da empresa já estuda reunir a Vivo do Brasil com suas demais empresas da América Latina (onde utiliza a marca Movistar) numa única holding, com ações vindadas em Nova York.

A idéia assusta os minoritários da Vivo, que terão suas ações brasileiras trocadas por ações desta nova empresa, por valor a ser arbitrado por uma consultoria que será contratada pela própria Telefonica. Se vier a ocorrer, a troca promete dar trabalho para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

E a Anatel com isso?

Ainda está vivo (sem trocadilhos) na memória dos paulistas os seguidos problemas do Speedy, quando se constatou que a infra-estrutura existente tinha problemas e não era capaz de suportar o tráfego crescente. Pois, é bom que o órgão regulador brasileiro fique de olho nos investimentos da Vivo, uma vez que as remessas de dólares do Brasil para a Espanha passaram a ser determinantes para o futuro da Telefonica. A pressão dos espanhóis pelos lucros brasileiros pode ser um risco para a operação da Vivo.

Não custa fiscalizar, certo?