A recente e mal explicada tentativa de golpe contra o regime turco forjou o álibi para um verdadeiro cavalo-de-pau na política externa da Turquia. Com isso Ankara se distanciou dos Estados Unidos e da OTAN e buscou estreitar relações com o até então desafeto Putin.

A mudança de postura turca deixou todos em dúvida sobre como ficará a relação do governo de Erdogan com o ISIS, que até então se pautava por forte dubiedade. Ao mesmo tempo em que atacava algumas bases do ISIS e acusava o grupo fundamentalista por atentatos na Turquia, Erdogan fechava os olhos para a entrada de jihadistas e armas e a saída de petróleo do ISIS através da fronteira turca.

Mas, enquanto o mundo se preocupava com o ISIS, a mudança de postura de Erdogan surtiu efeito em outra frente. Para satisfazer seu novo aliado, as forças sírias de Assad, apoiadas pela aviação russa, atacaram, na semana passada, a cidade curda de Al Hasakah, depois de um longo armistício entre Assad e os curdos. O ataque visa ampliar um enclave sírio no interior do cantão curdo de Jazira.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, pelo menos 15 adultos civis e 10 crianças foram mortos.

Com o enfraquecimento do ISIS, a nova aliança com russos (e por tabela com Assad) passa a ser fundamental nos planos de Erdogan para evitar o surgimento de um curdistão sírio independente em sua fronteira. Ao mesmo tempo, o conflito deixa dúvidas sobre como será o futuro das relações entre o governo sírio e os curdos, quando o ISIS vier a ser derrotado na Síria.

Em resumo, a vitória sobre o ISIS está longe de encerrar a guerra na Síria e a aliança entre Putin e Erdogan pode abrir um novo front no conflito.