​A massa de informações falsas, histéricas e descabidas que circula pela Internet é tão grande que, no meio disso tudo, coisas realmente importantes estão passando despercebidas.

Embora a Odebrecht esteja longe, bem longe de estar quebrada (como apregoa uma esquerda que agora se arroga defensora de empreiteiros), a empresa foi realmente afetada pela Lava-Jato e decidiu se desfazer de alguns negócios menos rentáveis.

Nessa reestruturação foi encerrada a empresa Odebrecht Tecnologia e Defesa (ODT). Sob o guarda-chuva da ODT havia duas empresas centrais para o estabelecimento do incipiente complexo industrial-militar brasileiro: Mectron e Itaguaí Construções Navais (ICN).

A Mectron está ligada ao desenvolvimento de uma série de projetos estratégicos de mísseis, radares, integração de sistemas de defesa, simulação, etc.

A ICN é uma “sociedade de propósito específico” entre a Odebrecht e a francesa DCNS, com a Marinha do Brasil detendo poder de veto, para a construção do submarino nuclear brasileiro (ProSub).

Com o fim da ODT,  parte importante dos projetos da Mectron foi repassada para a Avibras, uma empresa também brasileira. Portanto, nesses casos não houve perdas para o país.

Mas alguns projetos foram vendidos para a israelense Elbit e aí sim há grande risco de perda de conhecimento, patentes e empregos estratégicos para o país. Ao invés de se dedicar ao alarmismo vazio que beira a impressa marrom, a blogosfera deveria seguir a pista Mectron-Elbit e tentar entender quais os prejuízos de fato para o país. E aí sim produzir uma denúncia substantiva, com dados concretos. Aquilo que um dia já se chamou jornalismo…

PS: circula pela Internet o boato de que a General Eletric estaria assumindo o ProSub, mas até agora não consegui localizar uma única fonte confiável que confirme o tal boato.