Paul Ottelini, o todo poderoso presidente da Intel, anunciou que vai se aposentar no início de 2013, dois anos antes da aposentadoria compulsória prevista dos estatutos da empresa para quem completa 65 anos.

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Durante anos, quando se pensava em computadores, era quase certo que lá estariam chips da Intel e o sistema operacional Windows, da Microsoft. Ambos arquiteturas fechadas, ambos se retroalimentando (Windows otimizados para chips Intel e chips Intel preparados para rodar o Windows).

Mas, o mundo mudou tanto para os sistemas operacionais quanto para os chips, especialmente a partir da chegada de novos dispositivos de uso pessoal.

No caso dos chips, a Intel passou a ser assombrada pela empresa britânica ARM, que reina absoluta entre tablets e smartphones. A ARM optou por não fabricar, mas licenciar sua tecnologia para ser adaptada por vários empresas, como Samsung, Qualcomm, Nvidia, Nintendo, Sharp, Texas Instruments, etc.

A Intel tem buscado recuperar espaço, fazendo aliança com fabricantes de celulares para o lançamento de alguns poucos aparelhos com chips Intel. Mas, a tentativa não funcionou e as vendas não decolaram.

Como resultado, no dia 08 de novembro, embora por poucas horas, a Qualcomm chegou a valer US$ 105,5 bilhões na Bolsa de Nova York, superando a Intel. No final do pregão a Intel retomou a dianteira, mas a luz vermelha já estava acesa.

O modelo de uma única empresa que desenvolve e produz todos os chips de um setor pode estar com os dias contados.

PS: o modelo da ARM, que não dispõe ela própria de uma caríssima foundry (as fábricas que fazem chips), é algo que deveria ser estudado com carinho pelos experts em política industrial no Brasil.