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Se engana quem pensa que o sionismo conta apenas com a aliança com os Estados Unidos. Mesmo para a maior potência militar do planeta seria difícil manter seu apoio incondicional à Israel se houvesse uma aliança de todos os países árabes em defesa dos palestinos. Infelizmente, isso está longe de acontecer.

É fato que a tradição muçulmana é portadora de um intrínseco traço guerreiro, não tivesse sido o próprio Profeta também um soldado conquistador. Mas, foi especialmente com o fim do Império Turco Otomano, o surgimento do imperialismo europeu e a introdução alienígena da forma do “Estado-nação” que as rivalidades internas se acentuaram a ponto de gerarem conflitos e guerras praticamente ininterruptos entre povos árabes e muçulmanos.

Desde os tempos de Anwar Al Sadat o Egito virou as costas para o drama palestino, interessado na fortuna que anualmente os Estados Unidos lhe garante a fundo perdido. Durante um breve período, sob o governo da Irmandade Muçulmana, a situação mudou radicalmente e o Egito passou a apoiar o Hamas (mudança que, aliás, não está imune à críticas, muito pelo contrário). Com o retorno dos militares ao poder no Egito, tornou-se ainda mais forte a rivalidade com o Hamas.

A Jordânia é fortemente dependente da água de Israel e nem pensa em comprar qualquer conflito com Tel Aviv. Para piorar,  teve um péssimo comportamento em relação aos exilados palestinos, que muito sofreram para se integrarem à sociedade jordaniana.

A Síria era um “inimigo conhecido” de Israel. O objetivo estratégico do governo alauita da Síria sempre foi dar suporte aos xiítas libaneses do Hezbollah. E ambos trataram de manter um distanciamento estratégico do conflito palestino.

O Irã, embora xiíta, apoiava os sunitas do Hamas até que explodiu a guerra civil na Síria e o Hamas tomou partido da insurgência sunita. Com isso, praticamente cessou a colaboração (inclusive bélica) do Irã ao Hamas.

A Arábia Saudita é um dos casos mais complexos da região. Sua interpretação do Alcorão (conhecida como wahabismo) está na gênese de quase todos os movimentos fundamentalistas islâmicos, da terrorista Al Qaeda aos “moderados” da Irmandade Muçulmana, passando pelos salafistas. Mas, os sauditas são fortes investidores no capitalismo transnacional e se portam na região como um dos mais fiéis guardiões dos interesses norte-americanos.

A quase totalidade dos demais países árabes e muçulmanos se limita a um apoio protocolar à causa palestina. É possível dizer que atualmente apenas o minúscula (mas riquíssimo) Qatar tem apoiado (inclusive financeiramente) os governos da Palestina. A situação de isolamento dos palestinos no mundo muçulmano nunca foi tão grande quanto agora e Israel e Estados Unidos sabem disso.

Hamas e Al-Fatah

O isolamento externo acabou produzindo uma inusitada aliança entre o Hamas (que controla a Faixa de Gaza) e o Al-Fatah (que controla a Cisjordânia) colocando fim a um dos argumentos de Israel para não negociar com os palestinos.