Os quase 10 anos de governos petistas jogaram no ralo a chance dada pelo crescimento chinês e sua consequente fome voraz por commodities. Ao contrário, o país embarcou numa reprimarização de sua economia, cujo preço pagaremos no futuro.

Agora, é a vez de perdermos a chance de aproveitar os benefícios da política anti-cíclica adotada quando da crise de 2008. Fazia sentido, naquele momento, que se apostasse no consumo para evitar uma depressão. Até porque a ascensão da assim chamada “classe c” representava um bom colchão para esse crescimento do consumo. Essa política agora foi ampliada por uma ainda modesta queda do spread bancário e um estímulo para a expansão do crédito.

Mas, essa política tem limites temporais evidentes, que já dão sinais de estarem sendo alcançados. Assim, aumenta o endividamento das famílias e a inevitável inadimplência. No médio prazo, apesar do aumento do crédito, o consumo cairá. Como as bases da economia brasileira não foram revistas, voltaremos então a estaca zero.

A tentativa de manter a política anti-cíclica através do consumo ganha, no governo Dilma, a ajuda do aumento indiscriminado de isenções fiscais. Mas, tais isenções são feitas sem nenhum tipo de contrapartida.

É por isso que a GM ganha incentivos para produzir carros (mais carros???) e, ao mesmo tempo, demite 1.500 funcionários. Ou a Foxcom ganha incentivos para produzir Ipads no país e mantém o mesmo preço do produto importado.

Isso sem falar que nem se pensa em qualquer política que troque incentivos fiscais por transferência de tecnologias. Afinal de contas, quem precisa de patentes se temos soja?

Uma política tópica, que fazia sentido se usada de forma específica, acaba se tornando a linha mestra da política econômica do governo. A mesma água que num copo podia matar a sede, em um oceano pode matar afogado. Os limites são evidentes e se aproximam velozmente.

(Enquanto isso, a presidente que a mídia dizia ser durona, mas que vem se revelando apenas temperamental, politiza a greve dos servidores públicos e adota a mesma estratégia do governo FHC. Os culpados de uma crise que o governo sabe ser inevitável, e que não sabe enfrentar, são os servidores públicos, esses privilegiados!!!)