Semana passada, no Brunei, realizou-se a 8° Cúpula do Leste Asiático. Embora convidado, o presidente norte-americano, Barack Obama, não pôde participar, por estar diretamente envolvido nas negociações em torno da ampliação do limite de endividamento dos Estados Unidos. Com isso, o presidente chinês, Li Keqiang, teve terreno livre para promover a Parceria Econômica Regional Abrangente (RCEP, na sigla em inglês), iniciativa da Associação de Nações do Sudeste Asiático em parceria com China, Japão, Índia, Coréia do Sul, Austrália e Nova Zelândia. O mercado comum da RCEP disputa a preferência dos países da região com a Parceria Transpacífico, iniciativa norte-americana que exclui a China. A existência dessas duas propostas demonstra claramente que Estados Unidos e China disputam palmo a palmo a hegemonia sobre o continente asiático.

Vários analistas internacionais afirmam que o recente destaque dado à Síria pela administração Obama pouco tem a ver com o suposto uso de armas químicas. Na verdade, os Estados Unidos estariam preocupados com a crescente atuação da Rússia e do Irã no conflito sírio. Para a Rússia trata-se de seu último aliado no Oriente Médio. Para o Irã, a queda da dinastia Assad representa a perda de um importantíssimo aliado e do território necessário para fazer chegar o apoio ao Hezbollah. Nenhum dos dos países pode, portanto, se dar ao luxo de cruzar os braços em relação à Síria. Por tabela, a administração Obama acabou se vendo forçada a apoiar a oposição síria (no interior da qual predomina a Al Qaeda).

Enquanto isso, a disputa no continente africano pendeu de vez para a China, hoje o maior investidor de capitais na África e também o maior comprador de suas matérias primas.

E, na América Latina, no quintal dos Estados Unidos, o século XXI trouxe uma série de governos, uns mais outros menos, não tão simpáticos aos norte-americanos. São os casos do Brasil, Argentina, Uruguai, Peru, Bolívia, Venezuela e Nicarágua.

Este breve resumo busca demonstrar o que pode estar se configurando como os limites físicos de intervenção de uma potência que sonhava em ser a única com atuação planetária.