Informativo da Confederação Nacional das Indústrias (veja aqui) revela que, em 2011, 19,8% dos produtos industriais consumidos no Brasil foram importados. Este percentual cresceu 2% se comparado a 2010. E a pesquisa não inclui aqueles produtos que foram importados semi-prontos ou desmontados e que, embora ditos “made in Brazil”, tiveram quase todo o seu valor intrínseco criado em outros países.

Dos 27 setores industriais pesquisados, o índice de produtos importados cresceu em 21. Destes, oito obtiveram o maior índice de penetração de importados desde que tal pesquisa começou a ser feita, em 1996. Entre eles, destaca-se o setor de “informática, eletrônica e ópticos”, com 51% (e que certamente ficaria muito maior se fossem incluídas as importações de semi-prontos ou desmontados).

Entre os poucos setores que tiveram redução de produtos importados, a grande maioria é composta por indústrias extrativistas (minerais metálicos, petróleo e gás natural) e agrícolas (fumo). A exceção é o setor de farmoquímicos e farmacêuticos.

Cresceu também a importação de insumos para a indústria brasileira, atingindo o recorde de 21,7% em 2011. Especificamente os setores de transformação da indústria alcançaram valores recordes de 22,4%. E entre eles destacam-se “informática, eletrônica e ópticos” (com impressionantes 76,7%), metalurgia (46,4%), farmoquímicos e farmacêuticos (44,4%) e químicos (44,1%).

Fica cada vez mais evidente o padrão de uma indústria voltada para suprir as demandas agropecuárias e extrativistas dos países ditos “desenvolvidos” e da China. Uma indústria complementar, ancilar e dependente, sem capacidade de formular um projeto de inserção soberana. Nesse contexto, o câmbio valorizado é a cereja do bolo.