No final de 2011, a Amazon anunciou que abriria uma loja virtual voltada para o Brasil. Imediatamente começou a contratar executivos para tocar o negócio em terras tupiniquins, tirando quadros gerenciais da Apple e da Livraria Cultura.

Mas, a abertura da loja virtual está demorando mais do que supunha Jeff Bezos. A Amazon está com problemas para construir sua logística de armazenamento e entrega das futuras compras.

Há dias, contudo, o mercado foi abalado pela informação de que a Amazon estaria negociando a compra da Saraiva. A empresa brasileira traria para a Amazon toda uma logística já em operação e capaz de suportar uma das maiores lojas do comércio eletrônico brasileiro, além de uma editora e uma operação de vídeo por demanda (VoD). Por outro lado, a Saraiva possui uma rede de lojas físicas que não fazem parte do portfólio da Amazon.

O simples anúncio das conversas entre Amazon e Saraiva derrubou ainda mais as ações da B2W (Americanas.com, Shoptime e Submarino) que vem sofrendo seguidos prejuízos, exigindo mais de uma vez o socorro de caixa de sua controladora (Lojas Americanas).

Em seguida, surgiu o boato (desmentido por ambas as partes) de que o interesse da Amazon, na verdade, estava na compra da própria B2W. Vale lembrar que B2W e Lojas Americanas, somadas, praticamente controlam o mercado de DVDs, definindo preços de compra e venda frente aos distribuidores.

A vinda da Amazon, com seu bem-sucedido leitor de livros eletrônicos (Kindle), também obrigou a Livraria Cultura a se movimentar. A empresa paulista fechou parceria para trazer ao Brasil o Kobo, que, junto com o Nook (da Barnes & Noble), é um dos poucos leitores eletrônicos capaz de enfrentrar o Kindle.

Sabe-se no mercado que as editoras estão em intenso processo de negociação com a Amazon. Há o receio de que a escala de vendas da gigante norte-americana consiga lhe dar o poder de definir os preços no mercado editorial brasileiro.

Resta saber quanto tempo vai demorar para que Apple e Google resolvam investir de verdade no mercado brasileiro, vendendo músicas, livros e vídeo por demanda. E, enfim, quais os impactos na indústria cultural brasileira com a possível oligopolização deste mercado nas mãos de players transnacionais.

Nova Pontocom

Enquanto tudo isso ocorre, a Nova Pontocom (lojas virtuais das Casas Bahia e do Ponto Frio) vive situação curiosa. Seu crescimento começa a abalar a liderança da B2W, mas os lucros não aparecem. E sua controladora (Viavarejo – dona das lojas físicas das Casas Bahia e do Ponto Frio) vive uma intensa disputa interna entre a família Klein e o Grupo Pão de Açúcar (por sua vez, também vivendo uma negociação entre Abílio Diniz e o grupo francês Cassino).

Enquanto isso, lá fora…

O grupo alemão Bertelsman e o britânico Pearson anunciaram que estão negociando a fusão de suas editoras, as duas maiores do planeta, respectivamente Random House e Penguin. O movimento é uma resposta ao poder atualmente exercido por Amazon, Apple e Google na venda de livros. Os dois grupos de mídia pretendem ganhar escala suficiente para poder ditar as regras das futuras negociações. Vamos ver o que dizem os reguladores dos diversos países, especialmente Estados Unidos e Inglaterra, onde Random House e Penguin já atuam…

No Brasil, a Penguim possui 45% da Companhia das Letras.

PS: como pode uma livraria tão grande, com lojas tão interessantes e famosa por seu atendimento de qualidade, como a Livraria Cultura, ter um site tão ruim? Seu motor de buscas é péssimo e não há nada em termos de mineração de dados para oferecer ao cliente possíveis compras que estejam de acordo com seu gosto. Para piorar, seu aplicativo para smartphones ficou famoso de tão ruim que é. É bom a família Herz começar a se mexer para mudar esse cenário, enquanto é tempo…