A privatização das telecomunicações no Brasil (ao imitar o modelo do Julgamento Final Modificado, do início da década de 80 nos Estados Unidos) divulgava um possível cenário de muitas empresas explorando o mercado brasileiro. Contudo, desde a aprovação do Telecommunications Act (em 1996) já ficara evidente que a tendência era a concentração nas mãos de poucas empresas.

Agora, estamos às vésperas da saída de mais um player do mercado brasileiro. A francesa Vivendi precisa reduzir seu alto endividamento e a venda da GVT surge como quase inevitável. Ontem, a Reuters anunciou que a Vivendi já colocou até um preço na GVT: € 7 bilhões.

Embora seja uma empresa extremamente interessante para todas as operadoras que já atuam no mercado brasileiro, é difícil imaginar que Telefonica/Vivo (ela própria vendendo ativos para diminuir sua dívida) e Oi (ainda tentando resolver a compra da Brasil Telecom) venham a se arriscar.

Carlos Slim (dono da Embratel, Claro e NET) é famoso por comprar ativos baratos (o que não é o caso da GVT) e há muita duplicidade de rede entre GVT e NET.

A compra faria todo sentido para a TIM e o grupo DirecTV (que, no Brasil, atua com a marca Sky). Mas, a TIM já afirmou não ter interesse em TV paga e sua controladora também não anda com o caixa cheio.

Então, a Sky (que resolveu fazer do Brasil o seu laboratório para começar a operar também com acesso à Internet) surge como a grande favorita para levar a GVT.

Ainda é cedo para dizer, mas a tendência é do desaparecimento de mais um player de mercado, que se concentraria ainda mais em OI, Vivo, TIM, Sky e Embratel-Claro-NET.