A Itália Telecom (dona da TIM) é controlada por uma empresa chamada Telco. Já a Telco, por sua vez, tem como sócios os bancos Assicurazioni Generali, Mediobanca e Intesa Sanpaolo e a Telefonica de España (dona da Vivo). Os três bancos italianos já manifestaram o desejo de vender suas partes na Telco e, até o dia 28 de setembro, a Telefonica de España tem o direito de preferência para adquirir essas participações. A partir do domingo, dia 29 de setembro, os bancos italianos estarão livres para vender suas ações na Telco para quaisquer interessados. Comenta-se que o bilionário Carlos Slim (dono da Embratel, Star One, Claro e NET) seria um dos que avaliam fazer negócio com os bancos italianos.

Então, a Telefonica de España precisa tomar uma decisão rápida, se pretende comprar a parte dos bancos italianos (e assumir o controle isolado da Italia Telecom), sair da empresa junto com os bancos ou assistir a entrada de um novo sócio controlador. O problema é que a Telefonica luta para diminuir sua dívida e fazer uma oferta agora pela Italia Telecom pode ser um esforço muito grande para a empresa espanhola.

O destino da Italia Telecom tem enorme impacto no Brasil e na Argentina, únicos países onde a Italia Telecom tem investimentos fora do de sua matriz. No Brasil, a Italia Telecom é dona da TIM, enquanto a Telefonica de España é dona da Vivo. O que dirão Anatel e CADE se ambas as empresas passarem a ser controladas pela Telefonica de España?

Atualmente, a Anatel impôs um acordo onde a Telefonica de España se compromete a supostamente não participar de nenhuma decisão da Telco, e consequentemente da Italia Telecom, que diga respeito à TIM no Brasil. Mas, esse tipo de acordo ficaria ainda mais inviável caso a Telefonica de España venha a assumir o controle isolado da operadora italiana.

Por outro lado, se a Telefonica optar por não exercer seu direito de preferência e a maioria das ações da Telco venha ser comprada por Carlos Slim, o problema permanece o mesmo, uma vez que Slim também é proprietário de empresas no Brasil, como a Claro, concorrente direta da TIM.

De uma forma ou de outra, estamos assistindo mais um capítulo do inevitável processo de concentração das operações de telecomunicações no Brasil, todas capitaneadas por capitas estrangeiros.