A RBS é a maior afiliada da TV Globo, operando 18 emissoras de TV aberta nas principais cidades do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, além de ser um virtual monopólio de jornais nos dois estados (oito títulos) e dispor de 24 emissoras de rádio. Na TV paga, a RBS possui dois canais locais, um em Porto Alegre (operando também em UHF – em flagrante desrespeito à legislação, que impede que um grupo econômico tenha duas TVs abertas na mesma cidade) e outro em Florianópolis.

A RBS é dona, ainda, de uma pequena gravadora voltada ao mercado gaúcho (Orbeat Music), uma editora de caráter local, uma gráfica e uma empresa de logística para distribuição de jornais e revistas (Vialog).

Poucos grupos de comunicação exercem um controle tão grande da mídia local quanto a RBS. Mas, a empresa da família Sirotsky não atravessa a fronteira entre Santa Catarina e Paraná, por determinação da Globo, que não deseja ver sua afiliada se tornar uma concorrente. E em nome de manter as afiliações com a Vênus Prateada, a RBS acata. A única exceção é o Canal Rural, disponível em operadoras de TV paga de todo o país, mas de perfil bastante segmentado.

Internet

A forma que a RBS encontrou para vencer os limites do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, impostos pela Globo, foi investir na Internet. A empresa comprou o Grupo Mobi, que hoje compreende a própria Mobi (mobile marketing), FingerTips (aplicativos multiplataforma e mobile sites), MonsterJuice (games mobile), Minucom (premiação através de recargas de celular pré-pago), DP7(publicidade via SMS, MMS e voz), Redemobi (publicidade em sua rede de sites móveis e aplicativos), Finggers (rede social sobre aplicativos móveis), Hands Mobile (mobile advertising) e Aorta (mobile business). A RBS é dona ainda da agência digital Hi-Mídia e dos portais Obaoba, Guia da Semana e Hagah. A empresa dos Sirotsky também possui participações acionárias na Predicta (consultoria de marketing digital), na rede de blogs de moda F*Hits e na Wine (venda pela Internet de vinho).

Como prova de que suas operações na Internet vão além do sul do Brasil, os negócios digitais da RBS têm sede em São Paulo e ainda este ano ganharão um novo nome, para diferenciá-los da marca da Rede Brasil Sul.

Educação

Da mesma forma que os Civita, os Sirotsky parecem dispostos a diversificar seus negócios e o alvo também é a educação, só que dessa vez voltada para o segmento empresarial. Em sociedade com o fundo BR Investimentos, a RBS é dona do HSM, responsável por uma empresa de eventos, uma produtora de vídeos, uma revista, uma editora de livros e a HSM Educação, que promove MBAs e cursos de extensão.

Fracasso nas telecomunicações

Assim como Globo e Abril, a RBS também sonhou em se tornar uma empresa de telecomunicações. Primeiro, conseguiu que seu antigo empregado, Antonio Brito, então governador do Rio Grande do Sul, vendesse a operadora de telefonia fixa gaúcha (CRT) para um consórcio formado pela própria RBS e a Telefônica de España. Ainda com os espanhóis, a RBS tentou comprar a fatia da Telebras que viria a se chamar Brasil Telecom (operando telefonia fixa nos demais estados do sul e no centro-oeste). Mas, a RBS não sabia que a Telefonica faria o lance vencedor no leilão pela Telesp e com isso ficaria impossibilitada de concorrer junto com a RBS pela fatia do centro-oeste e sul do país. Emparedada no Rio Grande do Sul, traída pela Telefonica de España e vendo sua ex-sócia desistir da CRT para se concentrar na Telesp, a RBS acabou se endividando e teve que desistir da CRT, que acabou vendida para a Brasil Telecom.

A RBS também participou da privatização da telefonia celular, se associando ao Grupo O Estado de São Paulo, entre outros, nas empresas BSE (Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte) e BCP (grande São Paulo). Novamente a RBS viu sua empreitada ruir, se endividou e terminou participando da venda da BSE e BCP para o mexicano Carlos Slim, que depois unificaria todas as suas empresas de telefonia celular sob a marca Claro.

Por fim, a RBS também esteve nos primórdios da operadora de cabo NET, mas o alto nível de endividamento da empresa gaúcha acabou levando-a a desistir da sociedade com os Marinho.