Já tratei desse assunto aqui, mas acho interessante voltar ao tema dados os novos fatos que vêm ocorrendo na TV paga brasileira.

Ficou claro nos últimos anos que a estratégia da Globo é se concentrar na produção de conteúdo de mídia, se desfazendo de todos os seus demais negócios, especialmente aqueles ligados à infra-estrutura de telecomunicações (permanecendo como exceção os 33% de capital votante que ainda possui na NET Serviços). Mais especificamente, a Globo aposta suas principais cartas na produção de conteúdo audiovisual, através de quatro empresas: TV Globo, Globosat, Globo Filmes e Globo.com.

É certo que aumenta o consumo de conteúdo audiovisual e que a mobilidade permitiu que este consumo preenchesse novos momentos de nossas vidas, como as horas gastas em transportes públicos, por exemplo. Contudo, também é certo que essa expansão tem limites, uma vez que os dias continuam com 24 horas. Ou seja, embora novas mídias tenham aspectos complementares com as mídias já existentes, em algum momento elas se tornam rivais: se assistimos uma, deixamos de assistir a outra.

Globosat

Digo isso porque fica cada vez mais evidente que o polo dinâmico das Organizações Globo no audiovisual é a Globosat.

Naturalmente a empresa se beneficia da expansão dos assinantes de banda larga, que hoje já são cerca de 14 milhões de residências no Brasil, ou cerca de 25% dos domicílios do país.

Mas, a Globosat acaba de transformar a NET Brasil na Globosat Comercialização (G2C) com o objetivo de aumentar a penetração dos canais Globosat, hoje já disponíveis em todas as grandes operadoras (NET Serviços, Claro TV, Sky, Vivo, GVT, Oi, Viacabo).

A Globosat também criou “canais” de TV everywhere. Até o final do ano serão sete: Muu (para os canais lineares da Globosat), Premiere.com, Combat.com, Telecine Play (para a programadora Telecine, uma sociedade da Globosat com estúdios norte-americanos), Philos (documentários), Bis (shows) e Receitas GNT. De diferentes formas, estes conteúdos estão/estarão disponíveis na Internet e nos serviços de VoD das operadoras de TV paga (como o Now da NET Serviços).

Mas, a Globosat anunciou nesta ABTA que irá promover em breve um esforço para ampliar a disponibilização dos seus serviços de TV everywhere para smart TVs, consoles de games (já há conversas com Microsoft e Sony) e até mesmo com a Google TV.

TV Globo

Com o crescimento da base de assinantes da TV paga, com o aumento da comercialização dos canais lineares da Globosat e com a disponibilização de serviços de TV everywhere pela programadora da família Marinho, é de se supor que, em algum momento, o crescimento da Globosat irá rivalizar com a audiência da principal emissora de TV aberta do Brasil: a TV Globo.

Saber qual a política da Globopar para a chegada desse inevitável momento passa a ser fundamental para compreender como será o futuro do audiovisual brasileiro.