O Reino Unido vive uma situação curiosa.

De um lado, possui um mesmo órgão regulador para a infra-estrutura de telecomunicações e para o conteúdo das mídias eletrônicas. O Office of Communications é considerado uma referência entre os reguladores da comunicação de todo o mundo.

De outro lado, dispunha de um órgão de auto-regulação da imprensa escrita (Press Complaints Comission) que assistiu, ao longo dos anos, o nascimento e crescimento dos tablóides e seu sensacionalismo barato até que o caso das escutas telefônicas demonstrou o tamanho da podridão e do papel desempenhado pelos Murdoch na política britânica. A PCC surgiu em 1991 a partir da tentativa de reformular o Press Council surgido em 1953. Seus membros eram indicados pelos próprios veículos de comunicação e não tinham nenhum poder regulador, podendo no máximo sugerir caminhos a serem seguidos pela imprensa.

Em marco, foi aprovado o fechamento da PCC na esteira do escândalo das escutas telefônicas e o primeiro-ministro David Cameron, ele mesmo envolvido no escândalo, nomeou uma comissão de inquérito presidida pelo juiz Sir Brian Leveson. Enquanto isso, o último presidente da PCC, Sir David Hunt, insiste na criação de um novo órgão de auto-regulação, ainda que com poderes para para impor mudanças e emitir multas. E boa parte da mídia britânica endossa a posição de que regular a imprensa é praticar censura.

Por outro lado, já é possível perceber, especialmente em blogs ingleses, que se fortalece a idéia de que criar, pela terceira vez, um organismo composto por raposas para tomar conta do galinheiro pode não ser a melhor solução. De qualquer forma, seria interessante acompanhar mais de perto os desdobramentos desse debate inglês.