(Este é mais um post que visa demonstrar que o modelo brasileiro de oligopólio das comunicações acabou tendo como resultado, apenas aparentemente paradoxal, a criação de grupos empresariais fracos e incapazes de competir num contexto de globalização. O risco do aumento de desnacionalização é evidente…)

Na década de 90 do século passado a Globo vivia um processo de expansão em direção à infra-estrutura, investindo em telefonia celular, transmissão de dados e operação de TV paga. Era tida como a grande potência de mídia da América Latina. Enquanto isso, a Televisa, do México, estava às voltas com uma complexa sucessão no interior da família Azcarraga.

Passados mais de 10 anos, o cenário parece ter se invertido. A Globo viveu duro processo de reestruturação de sua dívida e precisou se desfazer de uma série de negócios, voltando a se focar na produção de conteúdo audiovisual em língua portuguesa.

Enquanto isso, a Televisa conseguiu manter a proibição legal à entrada de Carlos Slim na TV a cabo mexicana (no Brasil, o mesmo Slim comprou a NET Serviços da Globo) e passou a deter 50% da terceira maior operadora de telefonia celular do México (Lusacell).

Internacionalização

Mas, é na internacionalização de suas operações que Globo e Televisa aumentam suas diferenças.

A Globo vive apregoando suas vendas internacionais de novelas, mas o fato é que a presença destas em outros países é absolutamente marginal e sua participação no faturamento da Globopar é desprezível. Os últimos anos registraram, até mesmo, uma perda de mercado internacional, especialmente em países árabes, onde as produções da Globo foram substituídas por novelas turcas. Resta o consolo dos brasileiros que vivem no exterior e assinam a Globo International.

Por sua vez, a Televisa soube se aproveitar tanto do uso da língua espanhola quanto da posição geográfica do México. Assim, por um lado, aumentou a penetração de seus conteúdos nos demais mercados hispano-falantes da América Latina e Caribe. Por outro lado, expandiu seus negócios para os Estados Unidos, em busca de sua comunidade latina.

Mas, a Televisa foi além e comprou 5% (com debêntures conversíveis este percentual chegará a 30%) da maior rede de televisão hispânica dos Estados Unidos, a Univision (cujo horário nobre é praticamente todo ocupado por produções da Televisa). E acaba de abrir um estúdio em Hollywood, a Televisa USA, que já produz em parceria com a Lionsgate, a ABC e a Nickelodeon.