Alertado por um amigo, descobri, com indesculpável atraso, que faleceu, em 10 de maio, aos 94 anos, o jornalista Neiva Moreira, também deputado pelo PDT e, antes do golpe militar, pelo PSP. Tomei contato com a obra de Neiva Moreira em 1982, quando, com 13 anos, comecei a me interessar por política e meus pais me presentearam com alguns exemplares da Cadernos do Terceiro Mundo. E foi ali, na Cadernos, já como assinante, que descobri a busca do povo palestino por sua terra, o processo de descolonização da África e a luta anti-imperialista na América Latina. Foi ali que aprendi que a luta dos oprimidos é uma só, em qualquer canto deste planeta. E aprendi também a admirar pessoas como Julius Nyerere, Patrice Lumumba, Ben Bella (falecido recentemente), Mercedes Sosa, Rigoberta Menchú, Miriam Makeba e tantos outros que dedicaram suas vidas na busca por uma sociedade mais justa.

Cadernos do Terceiro Mundo viveu uma longa agonia e finalmente se foi, deixando uma lacuna no jornalismo brasileiro que até hoje não foi preenchida. A Neiva Moreira o meu mais sincero e profundo obrigado, por ter me descortinado o mundo e ter me mostrado que o jornalismo pode e deve ser usado como arma no enfrentamento aos poderosos. Essa mensagem nunca foi tão importante quanto agora.