Depois do famoso documentário Beyond Citizen Kane, de 1993, o britânico Channel Four volta a analisar a TV brasileira. Corre na Internet a versão legendada de um episódio de The Greatest Shows on Earth, documentário onde a atriz e jornalista Daisy Donovan viaja o mundo para conhecer a TV de outros países.

O capítulo em questão retrata a televisão aberta brasileira, com doses incríveis de sexismo, machismo, violência e espetacularização da religião. Só faltou o racismo para compor o cenário grotesco de nossa TV, auto-proclamada como sendo uma das melhores do mundo.

Vale a pena ver e refletir sobre o absurdo de nossa TV aberta, uma concessão que utiliza um bem público e finito, não ter praticamente nenhuma regulação, a partir de uma lei aprovada há 51 anos.

Na TV brasileira não há limite para concentração de propriedade, com uma mesma pessoa podendo ser também dona de jornais, revistas, rádios, portais da Internet, etc. Também não se impede a sublocação de horários, especialmente para o proselitismo religioso. Publicidade infantil segue sem limites. Não há direito de resposta e não se sabe a quem reclamar em caso de racismo ou sexismo. Políticos usam suas concessões para se promoverem e não há nenhuma obrigação para transmissão de produção independente e regional. Praticamente todo o conteúdo é produzido no Rio de janeiro ou São Paulo e “exportado” para o resto do país.

Ver e morrer de vergonha: https://www.youtube.com/watch?v=QM-Ujx7JET4

PS: uma pena que o documentário não tenha também tratado da TV Globo, onde a situação é mais complexa e o grotesco mais sutil.